fire and earth
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Confesso que ainda me passa várias vezes pela cabeça desistir do blog. Que não me passa a sensação de estar a escrever para o boneco. De estar num deserto. Até ver, não aprendi a lidar com essa voz, só a calá-la, a enfiá-la numa gaveta para não se ouvir tanto, enquanto tento continuar a fazer o mesmo que sempre fiz.

Mas foi também a isto que me permiti: a experimentar esta nova realidade. Só quero dar tempo suficiente para que seja uma experiência com pés e cabeça.

Não ajuda ver as estatísticas; não pelos números, mas porque é uma sensação estranha ver tantas visitas de países que não lembram ao menino Jesus, sendo essas por vezes a esmagadora maioria das visitas numa publicação ou em determinado dia. Não faço ideia se serão bots, mas sei que a sensação que fica não é a de estar a ser lida por humanos. E depois, só permanece a questão: o que é que estou a fazer aqui?

Catarina Gomes preparava uma investigação sobre antigos pacientes «loucos» do Hospital Miguel Bombarda — um hospital psiquiátrico agora encerrado — que, de alguma forma, estavam ligados a pessoas conhecidas (pacientes que assassinaram figuras importantes, um amigo próximo de Fernando Pessoa...) quando encontrou uma caixa repleta de objectos aleatórios e abandonados. Foi assim que percebeu que precisava de mudar o rumo da sua investigação: encontrar os donos destes objectos — pessoas completamente anónimas —, fazer conhecer o seu nome, contar-nos a sua história.


E então, a partir de objectos como cadernetas bancárias, bilhetes de identidade sem foto, materiais de costura, desenhos, contou-nos a história de alguns dos pacientes deste hospital que, de outra forma, nunca teriam sido conhecidos.


Que livro incrível. Mostra muito bem as competências de investigação da Catarina, dado que a quantidade de informações que ela conseguiu recolher sobre alguém com base em objectos que não contariam qualquer história sobre ninguém é impressionante.


Mostra também as suas competências de escrita, porque contou a história destas pessoas com uma empatia tal que conseguiu cumprir o objectivo de as humanizar — pessoas que, inicialmente, não tinham nome ou sequer cara, que estavam reduzidas a algo como uma caixa com ponteiros de relógio.


É um livro muito triste, porque todos estes pacientes viveram numa altura em que a doença mental era (ainda mais) estigmatizada; passaram anos — uma vida inteira, na verdade — presos neste «hospital», que na altura ainda era chamado de «manicómio» e, mais tarde, «asilo», a viver sem qualquer dignidade.


Há tantas cartas que escreveram a pedir ajuda, tanto com coisas insignificantes como com coisas importantes, e é devastador perceber que estamos a ler algumas delas porque nunca foram enviadas. Que os seus pedidos e necessidades eram simplesmente ignorados, ainda que fossem pedidos de ajuda legítimos. É triste perceber o quanto se sentiam abandonados, porque foram abandonados.


É ainda mais triste pensar que muitos deles teriam conseguido conduzir vidas relativamente normais hoje em dia, com medicação e dignidade. Em vez disso, tiveram o azar de viver numa altura em que existiam terapias inacreditáveis (as últimas duas chocaram-me porque eu nem sabia que existiam como forma de tratamento...):

  • Lobotomia;
  • Terapia de choque (hoje chamada de electroconvulsivoterapia; ainda se faz, mas de forma bastante mais controlada!);
  • Indução de coma;
  • Infecção propositada com malária.


Tal como Catarina diz no seu livro:


«Todos podemos adoecer, mas o tipo de doença e o momento histórico em que tal acontece, que coincide com o nosso tempo de vida, determinará que peso irá ter na nossa vida: se vai ser um incómodo, uma interrupção, ou um fim.»


Infelizmente, para Leopoldina, Noé, Simão, Manuel, Valentim, Clemente, Ricardo e Jaime, as suas doenças marcaram o fim da vida como a conheciam. Uma interrupção que nunca mais teve fim até à morte.


Por último, fiquei muito surpreendida com o facto de um destes pacientes ter nascido numa aldeia que faz parte do meu concelho. Foi uma sensação muito estranha de «tão perto, mas tão, tão longe».


Se ainda não leram este livro, não há qualquer recomendação mais clara que vos pudesse dar. Importante e empático na mesma medida, ficará comigo por muito, muito tempo.

Depois de ler o livro, vi o filme. É sempre ingrato ver uma adaptação de um livro ao cinema, porque nunca conseguimos não entrar numa constante comparação entre os dois e, na maior parte das vezes, o livro sai sempre a ganhar. Tentei ao máximo distanciar-me do livro, mas muito do que tenho a dizer será sempre em comparação com o mesmo.


Em primeiro lugar, tenho de deixar já bem claro que adorei o filme (não tanto como o livro, claro; o livro será sempre melhor). Senti que muita coisa foi mudada e foi uma adaptação mais superficial, mas, como filme isoladamente, não foi de todo mau.


A primeira coisa que eu não tenho visto ninguém a falar — fico a perguntar-me se sou eu que estou a interpretar mal — é que sinto que mudaram muito as personagens. As duas personagens principais não tanto, mas sinto que foram ambas um pouco "estupidificadas" a bem da comédia. Tanto pelo humor, como pela adaptação em si — são personagens extremamente inteligentes no livro e perdeu-se um pouco disso no filme. Já a Stratt, meu deus, acho que foi a mais modificada de todas, a ponto de achar que a Stratt do filme não tem absolutamente nada a ver com a do livro.


O humor do filme é um pouco tonto e brincalhão, sobretudo na primeira metade; e honestamente, não é bem o meu tipo de humor (-0.5 na nota por isto, para sincera). Ainda assim, sinto que o filme acaba por mudar um pouco de tom para melhor e, por isso, este acabou por ser um pormenor que não notei assim tanto com o avançar do filme.


Gostei muito de ter, finalmente, referências visuais para alguns momentos da história e até para o Rocky enquanto personagem, sendo que este filme tem momentos que são visualmente lindíssimos. Torna-se ainda mais especial quando sabemos que não foram usados green screens no filme.


Também gostei do filme ter incluído uma cena no final que nos mostra como as coisas correram para estes lados (estou a tentar ser vaga para não dar spoilers), algo que não está no livro (com razão para não estar, mas foi algo de que senti falta).


Para resumir, houve muitas coisas que achei que poderiam ter sido feitas melhor na adaptação do livro; mas, como filme isolado, não achei de todo mau. Na verdade, quanto mais coisas vejo sobre o filme, mais entusiasmada me sinto — ainda — com toda esta história. E tenho a certeza de que este será um filme para rever assim que for para as plataformas de streaming.

Cheguei seis anos atrasada, mas no início do ano resolvi-me finalmente a comprar o mais recente jogo de Animal Crossing para experimentar. Mais vale tarde que nunca, certo?

Em Animal Crossing: New Horizons, temos de, no fundo, decorar e povoar uma ilha que estava previamente deserta, trazendo novos visitantes e novos residentes à mesma. Funciona com um sistema capitalista de trocar dinheiro por bens ou serviços, sendo que existem dois tipos de câmbio: Bells, o que consideraríamos "dinheiro normal", e Nook Miles, que recebemos como prémio de várias missões que consistem sobretudo em fazer manutenção da ilha (apanhar frutas, vender itens, plantar árvores, pescar, etc.).


É difícil falar de um jogo tão rico e cheio, por isso, em vez de vos descrever o jogo como um todo, como geralmente faço, vou apenas falar brevemente de alguns dos pontos que, na minha opinião, merecem destaque (positivo ou negativo). Nunca joguei nenhum Animal Crossing antes, por isso isto são opiniões de quem não conhecia o universo de todo.


Decoração

A decoração é uma grande, grande parte deste jogo; diria até que uma das partes principais. É então um pouco desapontante que, para um jogo que se centra tanto na decoração, este elemento seja tão limitado e vedado ao jogador. As únicas formas de conseguirem decoração são:

  • Através de DIY recipes, que conseguem de várias formas: através de residentes; uma vez por dia numa mensagem numa garrafa na praia; em balões que precisamos de rebentar e ocasionalmente oferecem recipes; ou apanhando itens específicos.
  • Nos balões que rebentamos, abanando árvores, etc... Não é assim tão comum.
  • No Nook's Cranny, a 'loja geral' do jogo, que vende um número muito limitado de itens por dia (5 quando a loja está totalmente expandida).
  • Num 'terminal de multibanco' onde podemos trocar os Nook Miles por decoração ou comprar uma selecção diária com Bells, também estes limitados: todos os dias os itens são os mesmos, tirando a selecção diária onde existe alguma rotatividade de alguns, mas nada significativo. Existe um limite diário nesta mecânica de 5 itens por dia.

Ora, tendo isto tudo em conta, e considerando que muitos dos itens que rodam diariamente podem nem sequer interessar-vos, torna-se impossível decorar uma ilha inteira num espaço temporal aceitável. Assim que, mesmo inicialmente não querendo, acabei por recorrer a treasure islands.


Treasure Islands

Não sendo isto nada que tenha sido criado propositadamente no jogo — tendo sido antes criado pelos jogadores —, são as treasure islands que vêm salvar um pouco o progresso absurdamente limitado e demorado no jogo. As treasure islands são ilhas modded, isto é, alteradas por jogadores, com basicamente todos os itens e mais alguns existentes no jogo até hoje, para onde podemos viajar para ir buscar os itens que quisermos; todos os dias são renovadas com os mesmos itens.


Falo de itens de forma bastante ampla, na verdade as treasure islands têm tudo, e quando digo tudo, é mesmo tudo: itens de decoração, receitas, peixes, insetos, dinheiro, Nook Miles tickets (mais informação adiante), frutas, árvores, e até residentes (mais informação também adiante).


São uma excelente forma de completar o jogo com alguma batota para quem assim o quiser; eu, no entanto, uso apenas para decoração, dinheiro, recipes, e tickets. É graças às treasure islands que qualquer um de nós consegue finalmente tratar da decoração da nossa ilha como deve ser; de outra forma seria simplesmente impossível (e acho mesmo que este é um ponto absurdamente negativo do jogo, não faz qualquer sentido).


Villagers e villager hunting

Outro ponto de destaque para mim prende-se com os residentes da ilha, chamados villagers. Gostei muito de como todos eles têm a sua própria personalidade e de como é importante criar e manter uma amizade com eles; caso contrário, eles irão querer sair da ilha e alongar os seus horizontes, por se sentirem infelizes ali. Mas na realidade, mesmo quando fazemos tudo bem, eles podem querer sair.


Isto para mim é incrível e provavelmente o meu primeiro contacto com um jogo onde os NPCs não pareciam meros NPCs, tendo adorado o quanto se centrava na personalidade destas personagens e no seu individualismo.


Para encontrarmos novos residentes — existe um limite de 10 em cada ilha —, seja para ocupar novo terreno ou para substituir os que vão embora, viajamos para ilhas aleatórias (chamadas de mystery islands) com Nook Miles tickets, onde podemos encontrar villagers aleatórios que estão à procura de um novo sítio para viver, sendo que podemos ou não convidá-los a viver na nossa ilha. A este processo chama-se villager hunting e é das minhas partes preferidas do jogo.


É como um jogo de sorte, onde não sabemos o que nos vai calhar, e nunca sabemos bem quantas ilhas teremos de visitar até encontrarmos o residente certo. Existem centenas e centenas de villagers. Há villagers muito bizarros, alguns que são adorados por muitos (como é o caso deste, de que eu pessoalmente não gosto), outros amplamente desgostados; mas também há villagers que toda a gente adora ou quer — e alguns são raros de aparecer, então parece quase uma caça ao tesouro.


Ah! E os residentes são muito fofos, do nada começam a cantar (ou a cantar juntos), sentam-se no chão a ler, ou estão a examinar as flores da vossa ilha com uma enciclopédia na mão. Adoráveis.


Neste momento em que vos escrevo, já preenchi a minha ilha com os 10 residentes e estou feliz com os que tenho:

  1. Agnes (uma das minhas residentes iniciais, que aparecem ao começar o jogo);
  2. Genji (também um dos iniciais e um dos meus preferidos);
  3. Bob (um dos meus preferidos e o meu primeiro mystery villager, que é também um gato, que na verdade aparecem muito raramente. Por isso, para mim foi um claro sinal de destino);
  4. Queenie (que se mudou sozinha para um terreno vazio que tinha na ilha, coisa que eu não sabia que acontecia; mas na verdade, disse-me recentemente que se queria mudar, por isso, uma nova villager hunt se avizinha);
  5. Olive;
  6. Ketchup (uma das minhas preferidas);
  7. Diana;
  8. Pecan (a minha mais recente villager);
  9. Maddie;
  10. Aurora.

Haveria muito para falar sobre este jogo, mas achei melhor destacar apenas alguns dos pontos mais fortes ou fracos. No geral, gosto muito deste jogo 'cozy' e consegue ser um jogo muito relaxante — tirando quando comparamos a nossa ilha vazia e aleatória às coisas fantásticas que as pessoas conseguem fazer na internet e nos sentimos piores por isso (ninguém está a falar por experiência própria...).


Quem aqui já jogou? E se sim, quais são os vossos villagers preferidos?


Tenho ouvido falar muito bem deste livro ao longo do tempo e, por isso, achei que agora seria o momento perfeito para o ler, já que está prestes a sair o filme.

Project Hail Mary introduz-nos ao Dr. Ryland Grace, um (agora) astronauta que acorda sozinho numa nave espacial, sem quaisquer memórias. Lentamente, elas vão voltando e ele rapidamente apercebe-se de que está ali numa missão para salvar o planeta Terra de um perigo inesperado.

Este foi o meu primeiro livro de ficção científica de sempre e foi também o meu primeiro livro de Andy Weir. Não sabia o que esperar da experiência e uma parte de mim até temia não gostar muito, por não ser propriamente o meu género de livro. Felizmente, essa parte foi provada 100% errada.

Não tenho absolutamente nada de negativo a apontar e não esperava gostar tanto como gostei, chegando ao ponto de me fazer sentir um entusiasmo tão grande com o livro que me fez perceber que não me sentia assim com um livro há bastante tempo. Além de me ter deixado super entusiasmada para ver o filme também, claro.

Fui completamente às cegas e não sabia muito da história, por isso fui surpreendida por um elemento que não esperava que fosse incluído, mas que gostei muito. O livro é bastante técnico, mas explica tudo muito bem sem se tornar minimamente cansativo.

Além disso, adoro o sentido de humor da personagem (bem como a sua imensa inteligência) e achei o livro muito engraçado em alguns momentos, arracando pequenos risinhos de mim. E para completar, tem uma personagem muito querida e inesperada.

A história é super interessante, sobretudo sempre que Grace está a tentar aprender algo mais sobre alguma coisa. Mas há um momento do livro em específico, que se tornou facilmente o meu favorito, que mostra isso na perfeição. Infelizmente, não posso explicar a fundo, seria spoiler.

Se vos deixei curiosos ou já estavam a pensar em ler, o meu conselho é que avancem sem qualquer medo. Vão ter uma experiência de leitura sem igual. Fiquei muito curiosa por ler mais de Andy Weir; inclusive, tendo em conta que nunca vi o The Martian, esse será provavelmente o próximo livro que lerei do autor, antes de ver o filme.

Recomendo mesmo muito, é um livro perfeito e eu adorei.

No film club digital em que participo, fizemos uma exibição da maior parte das curtas-metragens nomeadas aos Oscars deste ano e, por isso, venho falar sobre elas. Ficaram a faltar apenas três, duas das quais entretanto vi sozinha.

Curtas-metragens live action

A Friend of Dorothy (21 minutos)

Uma história muito bonita sobre a importância de amizades intergeracionais e a questão da solidão na velhice (também toca um pouco no idadismo e na ideia de que um idoso não pode mais fazer certas coisas das quais é capaz só pela sua idade).

4/5 ⭐

Butcher's Stain (26 minutos)

É... ok. Toca em determinados temas importantes, mas francamente não sinto que tenha mudado a minha vida. As ideias eram boas, a execução ficou muito aquém e não foi a lado nenhum.

2.5/5 ⭐

Jane Austen's Period Drama (13 minutos)

Fiquei muito surpreendida com esta curta-metragem que tem pouco mais de 10 minutos. É uma comédia muito bem conseguida (e em tão pouco tempo!). Super engraçada, ri muito.

4/5 ⭐

The Singers (18 minutos)

É bonita e mostra-nos um pequeno momento em que pessoas são unidas pela música. Mas sinceramente, é só isso.

3/5 ⭐

Two People Exchanging Saliva (36 minutos)

Apesar do título, que inicialmente pode parecer uma escolha infeliz e causar algum preconceito, a verdade é que esta é uma curta-metragem bastante bem feita e o título acaba a ser extremamente adequado. Retrata uma sociedade onde beijos são proibidos (e punidos com morte) e onde não existe dinheiro — tudo é pago com estalos. Uma crítica muito boa de como beijos são proibidos, mas a violência domina a sociedade sem qualquer problema.

3.5/5 ⭐


Curtas-metragens animadas

Butterfly (15 minutos)

O quanto amei esta curta-metragem não está escrito. Tudo aqui é bonito: a arte e o estilo de pintura, as transições são exímias, e sem diálogo disse tanto. É triste e bonito na mesma medida, mas é uma verdadeira obra de arte.

4.5/5 ⭐

Forevergreen (13 minutos)

Acabei a chorar, claro, porque não aguento animais a sofrer. Um urso cresce sem pais e é criado por uma árvore, mas um pequeno momento de revolta adolescente faz com que a sua realidade mude por completo.

4/5 ⭐

The Girl Who Cried Pearls (17 minutos)

Animação lindíssima, ainda que desconfortável e assustadora. A narrativa acabou por me desapontar um pouco, mas, no geral, gostei.

3.5/5 ⭐

The Three Sisters (14 minutos)

É muito engraçada e cheia de twists que vão fazer rir, mas a animação parece um jogo de flash e o tom desta curta fica muito aquém comparado às restantes nomeadas. Uma escolha de nomeação que não se entende bem.

2.5/5 ⭐


Das nomeações a curtas-metragens animadas, ficou a faltar-me Retirement Plan, que não está disponível em lado nenhum.


Recomendo todas estas, melhores ou piores, por serem trabalhos tão rápidos de ver. Muitas vezes esquecemo-nos de investir o nosso tempo nas curtas-metragens por não estarmos habituados, mas algumas são tão bem feitas e fazem valer o tempo tal como um filme longo faria.


Algumas delas estão facilmente disponíveis em plataformas de streaming ou até mesmo no YouTube, gratuitamente, como é o caso de Forevergreen e Two People Exchanging Saliva, por exemplo. Não há desculpas! Alguém que já tenha visto alguma?

Hamnet é um dos filmes nomeados para Melhor Filme nos Oscars que me faltava ver (só me falta o F1, mas confesso que não sei se vou ver). É baseado no livro homónimo de Maggie O'Farrell e é uma ficção histórica sobre o filho de William Shakespeare e Agnes Hathaway, sobre luto e perda, e sobre o que inspirou a peça Hamlet de Shakespeare.


É um filme lindíssimo mas devastador que nos coloca de caras com a morte, uma mãe que perde um filho e — talvez pior ainda — se sente abandonada e sozinha no seu sofrimento (ainda que no fim entendamos que talvez não de forma propositada; as pessoas lidam com o luto de formas diferentes).


A fotografia é super bonita, os planos cuidadosa e delicadamente compostos e a Jessie Buckley tem das melhores interpretações que vi nos últimos tempos. Antes de ver este filme, a minha opinião era de que Rose Byrne merecia ganhar o prémio de Melhor Atriz por If I Had Legs I'd Kick You (que nunca vou deixar de recomendar, que filme incrível). Mas Jessie Buckley vai certamente levá-lo para casa, muito merecidamente.


Se acabei a chorar? Sim. E com um aperto na garganta de todo o tamanho, que parecia que não conseguia mais respirar. Se isto for algo com o qual consigam lidar, é um filme que não posso deixar de recomendar.


Quem aqui já viu e o que acharam?

Depois de reler o livro, decidi rever o filme. Vou falar com spoilers, se houver alguém por aí que ainda não tenha lido ou visto nada disto.


Tal como o livro, continua a ser um filme bastante bom para mim. Gosto muito da fotografia e das cores neste filme e aprecio algumas das alterações que fizeram: o maior destaque ao Presidente Snow, a personificação dos Produtores dos Jogos e a introdução do Seneca e, acima de tudo, o momento de "pequena" revolução por parte do Distrito 11 depois da morte da Rue e de Katniss fazer o gesto dos três dedos (embora não me saia da cabeça que, no livro, este gesto nem sequer apareceria na televisão).


Talvez não tenha gostado tanto da forma como fizeram o Peeta ainda menos corajoso no início e a Katniss ainda mais desagradável — na cena inicial com o Haymitch no comboio, no livro, é o Peeta que ameaça o Haymitch; mas no filme, é a Katniss que o faz e o Peeta permanece impávido e sereno. Parecendo que não, muda muito as coisas, já que no livro, o Peeta, apesar da sua serenidade, também se consegue impor; mas no filme, não tanto.


Apesar disto, acho que a adaptação está tão boa — q.b. fiel, e nas partes em que não o é, maioritariamente só acrescentou alguma profundidade e tornou tudo ainda melhor.


Mais uma vez, acho que nem preciso de perguntar se alguém já viu, ou recomendar que o façam!

Há algum tempo que tenho querido reler os primeiros três livros da série The Hunger Games, para poder ler os dois últimos que saíram pela primeira vez. Como é uma missão que tenho andado a adiar, resolvi deixar de o fazer e passar para o primeiro livro, de uma vez por todas.


Vi no Fable que a primeira vez que o li foi há 12 anos, e para mim é de loucos pensar nisso, sobretudo quando acrescento o facto de que na altura tinha 20 anos. Mesmo não tendo passado pela minha infância ou adolescência, sinto que cresci com esta série de livros (e filmes) e, por isso, tem uma componente muito nostálgica para mim.


Quando se trata de algo que marcou tanto uma determinada fase da minha vida — e gerações —, eu tenho algum viés. E por isso, mesmo que quisesse dizer algo de negativo, acho que não conseguiria.


Não tenho quaisquer defeitos a apontar a este livro que, para mim, continua a ser um 5/5. Continua a ser uma história poderosa. E o mais engraçado? Aqui estou eu, com 32 anos, a ler um livro que continua a fazer-me ter aqueles sentimentos tolinhos de adolescente em relação ao Peeta, que continua a ser uma personagem masculina (quase) perfeita.


Preciso de recomendar? Preciso de perguntar se alguém leu? Por agora, vou interromper para ler uma história que vai sair em filme muito em breve — e obviamente quero ler antes do filme —, mas espero continuar esta viagem brevemente.

Se me seguem há algum tempo, sabem que nos últimos anos tenho sempre tentado ver as principais nomeações aos Oscars (quanto mais não seja para depois fazer apostas com o meu namorado sobre os vencedores e... ganhar). Poderão ter percebido por uma das últimas publicações que tenho estado bem encaminhada nessa missão; ainda assim, faltavam-me três filmes e um deles era One Battle After Another.


Acho que preciso de trabalhar nas minhas expectativas criadas por todo o alarido que se tem feito em volta de certos filmes, porque sinto que apenas me estragam a experiência. Tanto se tem falado deste filme, de Marty Supreme, de Sentimental Value... Quando os vejo, nunca acabo a ter exactamente a mesma experiência que o resto do mundo parece ter. O melhor filme que vi dos nomeados, para mim, nem sequer está nomeado para Melhor Filme (If I Had Legs I'd Kick You); por outro lado, gostei muito de um que não está sequer nomeado para nada (Sorry, Baby). Mas bom, já todos sabemos que não é nos Oscars que podemos confiar para as melhores escolhas.


Desculpem, precisava de desabafar. Quem ler isto assim, até pensa que eu não gostei de One Battle After Another. Gostei — e tenho uma ligeira sensação de que até gostaria mais ainda se o visse uma segunda vez —, mas também não achei aquelas coisas todas que têm falado. Na verdade — mais um desabafo rápido —, acho que é a primeira vez que me acontece não adorar especialmente qualquer um dos nomeados para Melhor Filme e não haver um único que seja, para mim, um claro vencedor (pelo menos, até ver; como disse, falta-me ver dois).


Este filme é, acima de tudo, extremamente engraçado, ainda que se fundamente numa revolução da extrema-esquerda (um assunto não tão engraçado). Tem um ritmo alucinante, sobretudo na primeira parte — da qual não gostei nada e não levou 4 estrelas por isso mesmo. Esse ritmo mantém-se ao longo do resto do filme, mas muda um pouco de tom (para melhor, diga-se).


Uma coisa muito específica que reparei mas que é, para mim, um ponto positivo, é o quão bem a música determina o tom de algumas das cenas — a ponto de parecer, graças à música, que estamos a assistir, de repente, a um género completamente diferente de filme. Isto poderia ser péssimo, mas resulta tão bem que acho que tenho mesmo de destacar esse trabalho incrível.


O filme é muito engraçado, e para isso contribuem muito Leonardo DiCaprio e Benicio del Toro, que interpretam duas das personagens mais cómicas do filme e que mais nos divertem. Inclusive, acho que a personagem de Leonardo DiCaprio está muito bem construída de um ponto de vista cómico; ele é incrivelmente incompetente, mas calmo, focado, e ainda sortudo na mesma medida.


O filme é um pouco longo, mas diverte-nos tanto que nem damos pelo tempo passar. Talvez um dia o reveja, porque sinto que, ainda assim, não lhe dei a atenção devida esta primeira vez. De qualquer forma, está aqui uma recomendação clara para quem tiver interesse.


Quem aqui já viu?

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