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Desde que nos mudámos, passei a almoçar sozinha e procurei companhia em programas de comédia com episódios curtos. Foi assim que decidi começar por estes dois.

Jury Duty: Company Retreat

A primeira temporada, intitulada apenas Jury Duty, não está disponível em nenhuma plataforma de streaming e, por isso, não a vi (embora tenha muita curiosidade). Comecei então pela segunda e mais recente: Company Retreat.

Neste programa, há uma pessoa, um comum mortal, que é trazida para um contexto inusitado, criado por uma série de actores e produtores, sem saber. No fundo, é uma espécie de apanhados, mas bem mais complexo e trabalhado.

Nesta segunda temporada, o feliz contemplado é Anthony, que acaba de arranjar um emprego como assistente temporário num retiro de uma empresa. Esse é o último retiro do actual CEO da empresa, que está prestes a passar a pasta ao seu filho. No entanto, muita coisa má acontece e Anthony acaba por ter de lidar com todas essas questões no seu trabalho — percebendo-se que ele apenas quer o melhor para aquela empresa, vendo o quanto eles são família uns para os outros.

Tive alguma dificuldade em gostar do primeiro episódio, talvez por não estar nada habituada a este registo ou este tipo de programas. Pareceu-me tudo muito forçado e só conseguia pensar como é que o Anthony não achava certos acontecimentos estranhos, de tão obviamente televisivos que pareciam.

Sinceramente, consegui esquecer essa parte rapidamente. Foquei-me na parte de entretenimento do programa e rapidamente fiquei conquistada — não só porque o Anthony, como pessoa, foi uma escolha incrível para o programa, mas também pelo trabalho espectacular dos actores em várias cenas.

No final, quando a verdade é revelada ao participante, mostram vários behind the scenes e todo o trabalho que foi feito por toda a equipa até chegar aos dias de gravação — e esse trabalho é mesmo de louvar. Fiquei muito impressionada com todo esse esforço que a temporada exigiu antes mesmo de chegar às imagens que vimos.

Gostei muito e talvez vá ter de encontrar o DVD da primeira temporada no chão. Fiquei muito curiosa.

Last One Laughing (UK)

Terminada a temporada de Jury Duty, precisei de escolher uma nova companhia de almoço e este programa acabou por ser o contemplado. Um grupo de comediantes e humoristas passam umas horas fechados numa casa e nenhum deles se pode rir durante esse tempo. Ganha a última pessoa que restar na casa depois dos outros irem perdendo, um a um.

Como sabemos, os britânicos têm um sentido de humor muito particular e, por isso, não posso dizer que tenha achado todo o programa engraçado, no geral. Ainda assim, teve vários momentos que de facto achei engraçados e deu para conhecer alguns nomes que não conhecia ou dar caras a outros de quem já tinha ouvido falar.

Só vi a primeira temporada mas, uma vez mais, como peça de entretenimento (e para um mero almoço) está óptimo. Resta passar à segunda temporada, que é também a mais recente.

Porque nem só de cultura vive o Homem, hoje venho aqui contar-vos a minha mais recente peripécia (hoje mesmo, na verdade). Um momento embaraçosamente engraçado, ou engraçadamente embaraçoso — ainda estou para decidir. É possível que me arrependa de vir contar isto ao mundo, mas achei piada à estupidez do momento (que não consigo sequer descrever de outra forma).


Vão começar a fazer obras no nosso prédio — o edifício em si, no exterior — e têm andado a montar os andaimes. Nós vivemos no último andar e não temos cortinas. Como já sabia que andavam a montá-los numa das pontas do prédio — a que coincide com a nossa cozinha —, baixei a persiana para ter alguma privacidade, porque trabalho de casa e, portanto, é lá que almoço.


Contudo, não me apercebi de que não estavam a montar os andaimes apenas nessa ponta, mas em toda a extensão (não me apercebi porque da última vez que vi, os andaimes não estavam em toda a extensão). Ora, estava eu tranquilamente no escritório, onde temos a varanda, e reparo que da ponta da varanda — onde fica a nossa sala — já se vê um andaime. Mais uma vez, da última vez que vi os andaimes, não os vi do lado do escritório, portanto esperava que chegassem apenas até ali.


Mal tive tempo de mandar fotografia a comentar o facto ao meu namorado, quando vejo a cabeça de um homem surgir das trevas do chão da varanda. Pois é, afinal já tinham andaimes em toda a extensão deste lado do prédio e eu fui apanhada de surpresa por um coitado a fazer o seu trabalho, que provavelmente não me esperava ver aqui (o sentimento era mútuo).


De maneiras que tive de baixar a persiana do escritório, em frente ao próprio do trabalhador, para ter alguma privacidade, obviamente. Nunca me senti tão constrangida; é que baixar antes de eles estarem ali é uma coisa — mas baixar porque apareceu um homem que ali permanece a fazer o seu trabalho é outra.


Olhem, passei uma meia hora a rir com a situação e a lacrimejar de vergonha ao mesmo tempo. É que foi tão estúpido que só apetece rir e desaparecer num buraco ao mesmo tempo.


Tenho andado um pouco desaparecida por aqui por motivos de: mudámos (agora efectiva e definitivamente) de casa (mudança que estava a acontecer antes, mas que entretanto teve de ser adiada por motivos pessoais). Entre arrumar e organizar tudo e fazer algo no tempo livre, vou escolher jogar e ler (desculpem). Bom, mas vamos lá falar de um filme, que é para isso que cá estamos!

O que acontece quando o nosso noivo ou noiva revela a pior coisa que fez na vida e passamos a sentir que não conhecemos a pessoa que temos ao nosso lado assim tão bem? The Drama responde a essa pergunta.

É uma comédia negra e, assim logo de caras, há duas coisas a destacar fortemente, para mim (além dos dois actores principais, claro): a edição (!!!) e o guião. O filme está mesmo muito bem editado e escrito.

É um excelente filme para nos deixar a reflectir sobre o assunto em questão e se conseguiríamos aceitar o passado da pessoa — ou até mesmo acreditar na sua mudança —, por muito mau que tenha sido, ou não. E por mais que aponte para um acontecimento terrível, gostei da forma como o filme dá os dois lados da moeda, ainda que não para justificar o que quer que seja. É de facto um excelente questionamento moral para quem está a ver.

Também gostei de como uma das personagens não sabe exactamente responder à pergunta, apenas para passar o resto do filme na sua vez de responder à pergunta.

Toda a gente está a dizer que se divertiu imenso com este filme e, por acaso, tenho visto também muitas pessoas falarem do facto de haver sempre alguém na sala de cinema a reagir em voz alta às cenas — coisa que também aconteceu connosco, embora tenha de ser sincera e dizer que por mim calava só aquelas duas pessoas. Mas quem sou eu?

Enfim, quem aqui já viu?

P.S: É provável que vá continuar meio desaparecida por aqui, quanto mais não seja porque não tenho tido muito tempo e, por isso, tenho visto e lido muito pouco ultimamente.

Escolhi também não falar de tudo o que consumo, como fazia antes, simplesmente porque não me quero sentir obrigada a ter algo a dizer sobre tudo, mas posso dizer-vos que nos últimos tempos vi o mais recente documentário do Louis Theroux: Inside the Manosphere; The Super Mario Galaxy Movie; e revi The Royal Tenenbaums para continuar a minha pseudo-maratona de Wes Anderson.
Confesso que ainda me passa várias vezes pela cabeça desistir do blog. Que não me passa a sensação de estar a escrever para o boneco. De estar num deserto. Até ver, não aprendi a lidar com essa voz, só a calá-la, a enfiá-la numa gaveta para não se ouvir tanto, enquanto tento continuar a fazer o mesmo que sempre fiz.

Mas foi também a isto que me permiti: a experimentar esta nova realidade. Só quero dar tempo suficiente para que seja uma experiência com pés e cabeça.

Não ajuda ver as estatísticas; não pelos números, mas porque é uma sensação estranha ver tantas visitas de países que não lembram ao menino Jesus, sendo essas por vezes a esmagadora maioria das visitas numa publicação ou em determinado dia. Não faço ideia se serão bots, mas sei que a sensação que fica não é a de estar a ser lida por humanos. E depois, só permanece a questão: o que é que estou a fazer aqui?
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