Pretty Guardian Sailor Moon - Livro 1, Naoko Takeuchi
Reparei que começaram, recentemente, a traduzir os volumes do mangá de Sailor Moon. Eu nunca li mangá na vida — nem tampouco sou propriamente uma pessoa de ver animes —, mas as Navegantes da Lua fizeram parte da minha infância.
Por isso, juntei o útil — ser um livro gráfico, de leitura fácil — ao agradável — ser algo familiar, que me iria dar conforto — e pareceu-me a melhor opção para tentar combater esta inércia.
Comprei o primeiro volume meramente para ter essa experiência de leitura; não estava a contar continuar a ler. Mas agora, estou a considerar seriamente comprar o segundo volume.
Gostei muito. Ainda que, em certos momentos, se note que é uma história mais infanto-juvenil (com personagens igualmente desse cariz), e embora tenha um ou outro problema próprios do seu tempo, foi uma leitura muito divertida. E muito nostálgica também.
A quem, como eu, cresceu com as Navegantes da Lua — recomendo muito.
Friends, Lovers And The Big Terrible Thing, Matthew Perry
Estava eu a listar todos os livros do dia que me interessam na altura que vou à feira do livro e deparei-me com esta autobiografia do agora falecido Matthew Perry, que ando há anos para ler e comprar.
O que acontece é que eu apenas tendo a gostar de não-ficção com algum storytelling e estava com receio de comprar este livro para depois ser mais um livro de não-ficção que me estraga a experiência de leitura.
(Contexto: foi precisamente um livro de não-ficção que me colocou nesta reading slump para começar; assim já poderão entender o meu receio).
Acabei por decidir, então, embarcar nesta leitura de outra forma: ouvindo o próprio actor. Aproveitei o período de experiência do Audible para ouvir este audiolivro.
É curioso que este mês, marcado por uma reading slump, tenha também sido marcado por novas experiências de leitura: li o primeiro mangá, ouvi o primeiro audiolivro completo.
O Matthew Perry teve uma vida incrivelmente triste; quem conhece minimamente a sua história já sabe que grande parte dela foi marcada por alcoolismo e adição a drogas.
Sinto que 'Friends' foi usado no título mais para vender — e entendo — porque ele debruça-se sobretudo no abuso de substâncias, nas suas relações e, ocasionalmente, nos amigos que teve. Pouco fala da série Friends, embora isso não me incomode minimamente. Até agradeço a escolha — o Matthew Perry não é o Chandler Bing, ainda que o próprio admita que têm muitas semelhanças.
É um livro muito duro, não só pelas experiências dolorosas que ele viveu, mas também por ser tão palpável a dor que ele via na vida, a forma como se via a ele próprio, a falta de valorização e auto-estima. Como se sentisse o tempo todo que não merecia estar aqui, no mundo.
O Que Resta, Bárbara Cardoso
Sigo a Bárbara Cardoso há anos, tendo-a acompanhado tanto no YouTube como no Instagram. Sempre achei que ela escreve muito bem e, por isso, foi uma decisão natural apoiar este momento da sua vida em que conseguiu publicar o seu primeiro livro (tecnicamente, é o segundo, mas ela foi basicamente 'enganada' no primeiro quando era adolescente — se não estou em erro —, e por isso meio que não conta).
Gosto ainda mais que, para quem já a segue há um tempo, seja possível ver os pedaços de Bárbara neste livro, sobretudo pelo facto de sabermos que esta história está ligada à sua avó, ao papel que teve na sua vida e àquilo que experienciou no seu fim de vida.
É um livro que nos mostra, tanto pelos olhos da avó (Julieta), como pelos da neta adolescente (Sara), como aos poucos uma pessoa se perde devido ao Alzheimer — as suas memórias, as suas faculdades, as coisas mais básicas que compõem o nosso dia-a-dia.
Embora já tenha lidado com mais cancro terminal nesta vida do que gostaria, o universo tratou de equilibrar as experiências para que eu — pelo menos até ao dia de hoje — tivesse tido o privilégio de, por outro lado, nunca ter lidado com Alzheimer de perto. (Embora tenha também tratado de me dar 'um gostinho' quando um dos casos de quimioterapia teve efeitos bastante semelhantes.)
É um livro duro, mas muito bem escrito. Diria que apenas não senti que me conectasse muito com as personagens e acho que elas poderiam ter sido desenvolvidas de forma mais aprofundada; aliás, foi uma das poucas vezes que olhei para o total de páginas e senti que este livro provavelmente beneficiaria de mais.
Ainda assim, este foi um detalhe menor e, no geral, gostei bastante. (E foi o pretexto perfeito para me colocar novamente no caminho de leituras mais pesadas — mais pesadas que um mangá ou um audiolivro, pelo menos.)

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