fire and earth
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Temos uma estreia neste blog: venho falar de três tipos de obras ao mesmo tempo. Impressionante, batam palmas.


A história base de Carrie acaba por ser a mesma ao longo destas três peças: sofre bullying na escola, tem uma mãe muito restrita (com algumas diferenças de obra para obra) e, ao longo da história, Carrie vai percebendo que tem poderes de telecinesia. E é num baile da escola, onde tudo corre mal, que ela usa esses poderes para se vingar.


Carrie, de Stephen King


O livro não é mau, mas achei um pouco fraquinho. É a obra mais extrema no que diz respeito ao fanatismo religioso e à violência por parte da mãe, algo que definitivamente prefiro como está retratado no livro. No entanto, no que diz respeito ao bullying, achei que esse elemento poderia ter sido mais desenvolvido.

Não gostei da forma como a Carrie está escrita; sinto que é muito pouco complexa. É reduzida a alguém que praticamente apenas sente medo e raiva. Embora sejam respostas emocionais naturais às suas experiências, podia haver mais nesta personagem. Sinto que está reduzida a um mártir que, primeiro, sofre muito e, depois, é retratada como um "monstro" vingativo. E é só isto. Eu diria que aquilo que ela passou na vida merecia mais do que esta dualidade simples e básica.

Por último, apesar das descrições com a mãe, não me senti propriamente impactada por este livro. É uma história de terror competente, mas acho que tinha potencial para ser bastante melhor.





Carrie (1976)


Revi este filme agora que li o livro e adorei a história aqui. É uma excelente adaptação. Apesar de a mãe ser um pouco mais suave aqui e de terem alterado por completo o final (parte negativa para mim), o bullying está bastante mais desenvolvido aqui e a Carrie, enquanto personagem, também. Veja-se só, não é apenas uma máquina a quem foram atribuídas duas emoções para sentir ao longo de todo o tempo. Tem um sem-número de características e emoções nela que a tornam uma rapariga adolescente mais credivelmente humana! Incrível...

Gostei muito.



Carrie (2026)


Ainda não vi muitos episódios, por isso, não consigo ter tanto a dizer. Esta é a obra em que, pelo menos até ver, a mãe foi retratada de forma mais suave. No entanto, também desenvolve mais o bullying. Fizeram também algumas adições completamente diferentes do livro no que diz respeito aos poderes da Carrie; ainda estou para perceber se foi boa ideia ou não.

Esta série está adaptada ao mundo de hoje; achei esta perspectiva interessante.


Recomendo as três obras, embora, até ver, prefira o filme. Sim, é um daqueles raros casos em que acho o filme melhor que o livro...


Chegou o momento que tanto esperava! Aquele momento de 'clique', onde consigo pegar de onde deixei; onde não passo grande parte da aula a tentar recuperar o progresso anterior; onde as coisas parecem, de repente, tornar-se mais fáceis!

Estou a conseguir, cada vez mais rápido e facilmente, nadar em crawl! E estou a conseguir, finalmente, começar a habituar-me ao movimento de levantar a cabeça para respirar. Esta parte ainda está em desenvolvimento, mas já está bastante melhor do que estava.

A tal ponto que a própria professora disse que estou a fazer o movimento muito mais alinhado, 'direito', e que na próxima aula quer que comece a treinar de bruços. Não é que me importe, mas vou dizer que, ainda assim, não quero já deixar o crawl de parte; sinto que ainda tenho muito a que me habituar (penso que essa não é a ideia dela também, de qualquer forma). Quero mesmo que se torne automático e natural (aliás, o objectivo final será sempre esse, não é?).

Na próxima semana, não vou conseguir comparecer à aula, mas felizmente, tenho a possibilidade de ir à piscina treinar sozinha uma vez, quando eu quiser. Por isso, irei noutro dia.

Para terminar, queria comentar algo que acho engraçado: ontem estava a falar destes progressos a uma amiga que sabe nadar, e ela disse-me que achava incrível o meu ponto de vista porque nadar vem tão naturalmente para quem o sabe desde "sempre" que nunca pensou no processo de aprendizagem desta forma.

Eu também acho incrível, mas ao contrário: fico sempre a perguntar-me como é que é tão natural para tantas pessoas! Na prática, claro, porque na teoria, entendo perfeitamente como é.

P.S.: Em nada relacionado com o tema, um pequeno e rápido desabafo: do nada, tenho centenas de visualizações nos meus últimos posts. Detesto quando isto acontece, porque só consigo pensar que tenho sei lá quantos bots provavelmente a pegar no meu blog para treinar/recolher informação para IA 😡 

Já tinha ouvido falar bem desta série e venceu recentemente vários Emmys. Precisava de algo para ver e, tendo apenas uma temporada, pareceu-me uma alternativa fácil e rápida.

Em DTF St. Louis vemos três adultos de meia-idade que estão completamente insatisfeitos com a sua vida e casamento. Com o tempo, começa a formar-se um triângulo amoroso, e aquilo que era uma forma de escapar à monotonia acaba numa morte.

Esta série é bizarra, em certos momentos, desconfortável em muitos outros e, acima de tudo, triste. É uma série tão triste.

O desenvolvimento e a profundidade das personagens principais nesta série são maravilhosos; aprendemos a detestar uma, a simpatizar com a outra, mas há uma em especial que nos conquista pela sua bondade, a quem só queremos dar um abraço apertado.

A história é mesmo de agarrar o espectador; ficamos com a curiosidade aguçada para saber o que aconteceu, quem matou a pessoa que morreu, porque o fez... E passamos a temporada inteira a criar 1001 teorias, que logo depois são desmanteladas com surpresas e surpresas.

Tudo nesta série é incrível: a edição, que nos deixa confusos sobre o que poderá ter acontecido até ao último momento; os actores; o guião; a fotografia com um ar melancólico e sombrio; a banda sonora.

Recomendo muito, muito!




Na semana passada, senti que não tinha muito a dizer, então resolvi juntar duas aulas numa publicação.

 

Aula 3:

  • Usei barbatanas pela primeira vez
  • Consegui logo dar aos pés mesmo sem elas
  • Consegui treinar a respiração com a ajuda de uma prancha, mas não consigo levantar a cabeça para respirar sem ela...
  • Fui duas vezes (com as barbatanas, a prancha e a professora) à parte mais profunda da piscina. A segunda vez foi bem mais fácil, mas a primeira, como devem imaginar, foi um pouco assustadora.
  • Continuo a achar 1x por semana muito pouco e estou a tentar ponderar opções...


Entre as duas aulas, comecei a ver vídeos no YouTube para me ajudar a perceber um pouco melhor aquilo que posso fazer enquanto iniciante.


Aula 4:

Esta foi dada pelo outro professor. Apesar de não ter ouvido críticas muito negativas sobre ele, tinha ouvido certas coisas que me tinham deixado de pé atrás. Mas realmente, não há como experimentarmos as coisas por nós e formarmos as nossas próprias opiniões, porque até gostei dele e da aula.

Sinto que esta aula teve toda a progressão que esperava que tivesse acontecido nas últimas semanas; nesta aula fui do 'básico' ao ponto onde queria (conseguir começar a dar braçadas — primeiro com prancha e depois sem —, levantar a cabeça para respirar — novamente, com e sem prancha —, e dar aos pés ao mesmo tempo). Por outras palavras, numa aula só consegui fazer aquilo que andava a tentar há semanas...

Ainda tenho dificuldade, claro, mas só conseguir fazer tudo isto pelo menos uma vez já é bom. Isto porque sempre que levanto a cabeça para respirar, os meus pés começam a afundar e tem sido complicado manter o nado sempre que tento respirar. Mas ontem consegui contrariar esse "afundanço" umas duas ou três vezes (já não é mau) e prosseguir.

Tenho sempre medo que o meu corpo "esqueça" estes movimentos. Sinto sempre que cada aula é dois passos atrás e um passo em frente. Sinto que passo todas as aulas a tentar chegar onde estava antes. Consigo chegar sempre, mas já para o final. E uma semana depois, o processo repete-se.

Acredito que são estas repetições que vão ajudar, com o tempo, e que ainda vou chegar a um ponto em que já consigo pegar logo de onde deixei. Mas é definitivamente um progresso muito lento.

Ainda estou a considerar fazer duas aulas por semana, sobretudo agora que já estive com este outro professor. Isso ou aprender noutro lado, porque a cidade vai ter mais uma opção para aulas de natação em breve (que deve ser mais barata e também não deve acontecer a horas tão tardias do dia, como onde estou). Mas, tendo em conta que não conheço os professores aí (nem nada de nada), e que já estou aqui, essa parece-me uma opção menos provável.

Apercebi-me de que nunca cheguei a vir aqui falar de outra saga de livros que tem tomado o meu tempo este ano (além de Hunger Games): Dungeon Crawler Carl. Bom, isto faz parecer que vou super avançada nesta série, mas, na verdade, ainda só li os dois primeiros livros — sendo que, até ao momento, existem oito, e penso que o plano é ser uma série de 10 livros.

Este é um livro de litRPG, um género do qual nunca tinha ouvido falar, mas significa basicamente que é um RPG em forma de livro. Para quem não sabe, RPG significa 'role-playing game' e refere-se a qualquer jogo em que assumimos o papel de uma personagem num mundo ficcional — pode ser um videojogo ou um jogo físico, sendo o exemplo mais clássico o jogo Dungeons and Dragons.

Dungeon Crawl, na verdade, é um subgénero dentro do género RPG e nada melhor que a Wikipédia para explicar:

"em que os heróis navegam por ambientes como cavernas, ou labirintos, denominados dungeons — compostos por salas e corredores que as conectam, podendo haver também passagens secretas —, lutando contra vários monstros, evitando armadilhas, resolvendo quebra-cabeças e saqueando qualquer tesouro que encontrem."

Parece que vos estou a dar uma lição sobre jogos, mas, na verdade, é só porque esta descrição já dá uma ideia bastante precisa daquilo que caracteriza Dungeon Crawler Carl enquanto série de livros.

Ora, vamos passar então à história propriamente dita (finalmente, não é?).

Carl tem a sorte de estar na rua com a gata da sua ex-namorada, Princess Donut, no preciso momento em que todos os edifícios no mundo colapsam, deixando apenas como sobreviventes todos os seres humanos que se encontravam no exterior. O problema é que esse colapso foi causado por alienígenas, e os seres humanos sobreviventes fazem agora parte de um jogo televisivo intergaláctico onde terão de continuar a lutar pela sua sobrevivência.

Fiquei muito curiosa com esta história e, por isso, tinha de experimentar o primeiro livro. Como disse, já li os dois primeiros, por isso é óbvio que gostei.

O estilo de escrita é um pouco simples, mas a verdade é que não leio estes livros pela escrita, mas pela história.

São livros muito divertidos, mas creio que acabam por ser mais prazerosos para quem, efectivamente, gosta de jogar. Também têm certas críticas sociais e já ouvi dizer que ficam um pouco mais profundos com o avançar da história; mas essa parte ainda tenho de descobrir.

Já vi inúmeras vezes serem recomendados para quem gosta de jogos e "para os namorados que gostam de jogar, mas não costumam ler" (inclusive, tenho uma amiga cujo namorado encaixa nesta descrição e ele já os devorou). Como eu sou adepta de que as pessoas leiam o que quer que seja, mas leiam, só posso continuar estas recomendações.

Se procuram uma história divertida (por vezes tonta) e são fãs de jogos, experimentem o primeiro livro. Eu terminei há poucos dias o segundo e já encomendei o terceiro. Uma pessoa que está no quinto livro disse-me que, até agora, o terceiro foi aquele de que gostou mais, por isso já estou com a curiosidade aguçada!

Um daqueles filmes cujo nome já tinha ouvido tanto por aí, mas nunca tinha visto.

Numa sociedade futurista, Tom Cruise interpreta John Anderton, um detective de "Pré-crime" — a tecnologia avançada permite predizer crimes antes de serem cometidos, e John apenas tem de descobrir a tempo onde estes iriam ser realizados para que possam prender os futuros perpetradores. Até ao momento em que, num dos crimes previstos, ele próprio é o assassino.

Este filme é o sonho de qualquer professor de Filosofia — aliás, o meu namorado disse que o viu nessa disciplina na escola —, porque é um excelente objecto de questionamento e toca em muitos temas de reflexão interessantes.

Deveriam mesmo prender pessoas que nunca chegaram a cometer qualquer acto criminoso; deveria a sociedade ser assim tão predeterminista? Não seria possível que alguns desses eventos pudessem ser alterados antes do seu momento de chegada? Seria possível que algumas previsões pudessem ter detalhes enganosos, facilmente questionáveis, que pudessem levar a que se prendesse uma pessoa inocente, que não iria cometer acto criminoso algum?

E só a própria "tecnologia" em que estas previsões assentam é altamente questionável, tornando certas pessoas prisioneiras sem uma vida digna ou liberdade.

Enfim, os pequenos momentos de acção não me moveram — não sou a maior fã do género —, mas as ideias e conceito por trás deste filme são muito enriquecedores e é um daqueles filmes que valem bastante a pena ver para nos deixar a reflectir.

Gostei muito!





Na semana passada, dei por mim a sentir imensa pena de só estar a pagar por uma aula por semana (existem três por semana, mas quero continuar o treino de força que faço há anos, e portanto €), a sentir vontade de continuar a minha aprendizagem, a querer que a aula desta semana chegasse o mais rápido possível.

No meio de tudo isto, também senti medo e fui acometida por uma estúpida síndrome do impostor:

    • "E se chego lá e esqueci tudo?"
    • "E se chego lá e já não sei fazer outra vez, porque passou tanto tempo?"
    • "E se chego lá e sinto medo novamente?"

Tentei ser racional e pensar que iria chegar lá e começar exactamente de onde tinha deixado. Mas estes diários são para serem como o filme: o bom, o mau e o vilão. E para dizer a verdade, cheguei lá e senti imensa dificuldade de voltar ao ponto de onde tinha deixado da última vez.

Não em termos de medo; esse já ficou desbloqueado (felizmente). Mas a verdade é que, efectivamente, cheguei lá e já não sabia fazer outra vez. Tentei, passei a aula toda a tentar; mas os meus pés estavam sempre a ir ao fundo. Claro que, com o tempo a passar, fui melhorando outra vez — o problema é que já estávamos quase no final da aula quando finalmente me comecei a ajeitar de novo.

Suponho que seja normal; a verdade é que 1) o meu corpo (e cérebro) não estão habituados a estes movimentos; como nunca aprendi, não me saem assim tão naturalmente. E 2) foi só a segunda aula e, tal como em tudo, existe uma curva de aprendizagem.

Não vou dizer que não me senti desencorajada quando me sentia a falhar uma e outra vez, mas, apesar disso, persisti (e ajudou ter uma colega a encorajar-me e a puxar por mim, de início). Diria que persisti ainda mais e fiz ainda mais, porque queria treinar o máximo que conseguisse numa sessão. Mesmo quando já conseguia, voltei a fazer o mesmo uma e outra vez para tentar que o meu corpo se habitue aos movimentos.

Neste momento, outra dificuldade que sinto é em conseguir fazer tudo ao mesmo tempo: se me concentro em treinar as braçadas, começo a deixar de me focar nos pés — e, lá está, ainda não é natural e automático para mim. Além disso, ainda não consigo levantar a cabeça para respirar; só consigo 'nadar' com a cabeça debaixo de água. Mais uma vez, se me tento focar nisso, perco tudo o que estou a tentar fazer.

Bom, é o que é; mesmo nos treinos de força que faço, quando existe um exercício novo mais complexo, às vezes também é difícil coordenar todos os seus elementos em conjunto. Claro que, aí, demoro menos tempo a conseguir; mas é para isto que estou a pagar: para aprender.

Infelizmente, acho mesmo que uma aula por semana é pouco, mas, mesmo que deixasse os treinos, as outras aulas não são dadas pela mesma professora; e, pelo que ouvi sobre o outro professor, não sei se tenho assim tanto interesse em tê-las... Era nestas alturas que dava jeito ser rica para ter piscina em casa e ir treinando sozinha (a modalidade que pago não permite ir livremente para esta piscina).

Ah, e: hoje estou com uma dor terrível de pernas e braços; se calhar, é bom sinal. Ou não. Genuinamente não faço ideia.

Natalie é uma influencer "tradwife", isto é, defende o estilo de vida americano pioneiro e tradicional, onde não entra a modernidade. Tem milhões de seguidores no Instagram que adoram acompanhar a sua vida num rancho, com os seus seis filhos e o marido cowboy. O que ninguém sabe é que Natalie vende uma mentira; que existem amas, uma produtora e vários electrodomésticos escondidos na cozinha. Certa manhã, Natalie acorda em 1855 e, de repente, tem mesmo de viver na era que defende — e arranjar uma forma de escapar.

Esta é a forma como o livro está publicitado, embora ache importante dizer, desde já, que o livro não tem um foco assim tão grande (ou relevante) em 1855 ou nas dificuldades de Natalie em adaptar-se. Acho que a sinopse faz o livro parecer algo mais dentro da fantasia ou thriller, mas, na realidade, o livro não é nada disso — é melhor ainda que isso.

É um livro que toca em temas importantes, como o feminismo, papéis de género, maternidade, conservadorismo (e a sua hipocrisia), mas, mais ainda, o papel das redes sociais, a forma como tantas pessoas mostram uma vida que não têm, a exploração que influencers fazem dos seus filhos, enfim, a forma como se vende uma mentira.

E neste livro, essa mentira é levada a um extremo que não se espera ao ler a sinopse, e que só posso descrever como sendo completamente de loucos. A vida desta família é insana, muito graças a vários dos adultos que também não são muito saudáveis por si só.

Natalie é a protagonista de quem não se gosta, com quem não se consegue simpatizar. Pessoalmente, acho-a uma pessoa horrível. Mas não é a única; e o que é certo é que, ainda assim, em certos momentos não consegui não sentir pena dela, nem deixar de achar que ela é, à sua maneira, também apenas uma vítima do sistema.

No final, este livro surpreende, não apenas pelo que explica o aparecimento repentino em 1855, mas também porque nos mostra que Natalie não é a única vilã nesta história e que existe um outro vilão, bem mais subtil e dissimulado.

Gostei muito deste livro. É uma autêntica viagem, repleta de elementos insanos, mas que ainda assim permanece verossímil. Deixou-me completamente agarrada à leitura.

Recomendo muito.





Nunca aprendi a nadar. Em criança, sempre tive medo. Em adulta, sempre tive vergonha de tentar aprender em piscinas de lazer, onde as pessoas vão veranear. Mas, na verdade, durante grande parte da minha vida tive vergonha em sequer dizer às pessoas que não sabia nadar. Hoje em dia, não me importo — não acho de todo que seja motivo de vergonha; é normal, é o que é, e há tantas pessoas que não sabem. Mas ainda tenho vergonha de aprender em qualquer piscina (e continuei a sentir medo).

A ideia de aprender a nadar tem marinado na minha cabeça durante anos — anos a mais; na verdade, já deve ter passado mais de uma década.

O primeiro passo que tomei nessa direcção foi no ano passado, mas o sítio que contactei acabou por não oferecer o serviço nesse ano e, com o tempo, fui fazendo o mesmo que já tinha feito antes: fui deixando o assunto passar.

Este ano, decidi que não passava daqui.

Tive ontem a minha primeira aula de natação. Estava uma pilha de nervos, até porque nada sabia dos restantes alunos (que acabaram por ser todos mais velhos que eu), do ou da professora (tinha tido feedback maravilhoso de uma professora, mas não sabia se ainda era a mesma — spoiler: era e ela é fantástica), do que iria fazer na aula, ou se iria estar muita gente (a piscina é partilhada com outros utilizadores).

Quando vos digo que não sei nadar, não sei mesmo: não consigo (bom, não conseguia! 😉) estar deitada na água e tentar mexer-me sem ir ao fundo ou atrapalhar-me, não consigo boiar, enfim, nada.

Pois bem, a primeira aula teve progressos que eu não imaginava: já consigo "nadar" (mal e porcamente, portanto, muitas aspas aqui) sozinha durante algum tempo. Quando consegui atirar-me à água e ficar naquela posição, só a dar aos pés (mais tarde, já avançámos para os braços também), e manter-me assim durante parte da pista, e avançar sem a ajuda de "noodles", de pranchas, de braços a segurarem-me — a sensação foi indescritível.

Decidi criar esta série de posts para mais tarde poder relembrar esta experiência, que tanto tempo levou a consumar-se; mas também porque, um dia, pode servir para encorajar alguém na mesma situação.

Estou para lá de orgulhosa de mim própria por ter dado este passo e por já ver resultados; e estou a gostar tanto da experiência; faz-me sentir feliz e realizada. Acho que este será o dinheiro mais bem gasto da minha vida.

Mais um para o qual vou utilizar a sinopse, porque não conseguiria transmitir melhor:


«Dois anos antes de sair de casa, o meu pai disse à minha mãe que eu era muito feia» é a frase inicial deste romance. A revelação é feita por Giovanna, que ao olhar paterno se transformara de criança encantadora em adolescente imprevisível, que parecia tornar-se cada dia mais parecida com a desprezada tia Vittoria.

A frase ouvida sem que os pais o soubessem vai levar Giovanna a procurar conhecer a tia, cujas fotografias foram apagadas dos álbuns de família e é evitada em todas as conversas.

Para saber se estará realmente a tornar-se semelhante à tia, vai visitar a zona empobrecida de Nápoles, a conhecer uma versão diferente dos seus pais, provocando sem o saber a desagregação da sua família intelectual, compreensiva e perfeita na aparência.

Confirmando a sua mestria narrativa e o profundo conhecimento do que se passa na cabeça das adolescentes, Ferrante constrói um enredo surpreendente, ligando uma história de iniciação aos episódios de uma pulseira que passa de mão em mão. Giovanna move-se entre duas famílias e duas zonas da cidade em busca dela própria, na passagem da adolescência para a idade adulta.


Sei que venho muito tarde, mas é o primeiro livro que leio de Elena Ferrante, embora queira muito ler a tetralogia napolitana. Embora seja uma autora muito falada, não fazia qualquer ideia do que esperar.

Gostei muito da escrita da autora; é muito fluida e é daquelas que já me ensinaram umas quantas palavras novas (aliás, excelente trabalho também na tradução).

Não sei se consigo fazer justiça nesta review porque sinto que o livro toca em tantos temas diferentes: a adolescência, no geral; a sexualidade; o corpo feminino e a imagem corporal; gerações diferentes; classes socioeconómicas diferentes; a realização de que os pais (ou os adultos, no geral) também têm defeitos; a formação (ou consolidação) de certos traços de personalidade, de certos valores; enfim, o crescer como um todo.

Parecem muitos pontos a deslindar num só livro, mas nota-se porque Elena Ferrante é tão falada. Aqui não existe "menos é mais", nem tem de existir quando a autora desenvolve tanto com tanta mestria.

Sinto que Elena Ferrante capta muito bem a complexidade e a montanha-russa de emoções e desafios que é a adolescência. Aliás, vi muito do meu Eu adolescente neste livro, e não propriamente da forma mais positiva; embora não exactamente com os mesmos problemas ou pensamentos, muitas preocupações que aqui estão têm por base sentimentos que, acredito, muitas adolescentes experienciam.

Gosto também especialmente do papel que a imagem corporal tem neste livro, da forma como retrata o crescimento de alguém que está a descobri-lo (em si e nos outros), e nem é tanto pelo lado sexual, mas pelo facto de, como mulheres, existir sempre esta dualidade de algo que causa vergonha, insegurança, ao mesmo tempo que serve de objecto sexual para os homens.

Dito isto, senti que algo estava a faltar neste livro e não sei precisar o quê. Gostei muito, mas sinto que ainda precisava de algo mais. De qualquer forma, continua a ser uma recomendação clara.







Heretic

Duas missionárias Mormon visitam um teologista que manifestou interesse em conversar sobre a sua religião, mas depressa se apercebem de que talvez se tenham enfiado na toca do lobo e poderão não conseguir escapar.

Achei o filme muito interessante em termos filosóficos; tudo o que é discutido sobre religião é enriquecedor (tanto de um lado como do outro). O Hugh Grant também teve uma prestação impecável.

Ainda assim, o filme deu tantas voltas à história que acabou por me perder um pouco; acho que algumas escolhas não resultaram assim tão bem. De repente, este filme parece daqueles que nos levam numa autêntica viagem, mas em parte senti que se puseram a inventar demais. Em todo o caso, de um modo geral, gostei do filme.





The Miseducation of Cameron Post

Mais um filme que conheço graças ao film club digital onde estou, sem o qual nunca teria ouvido falar deste título. O responsável pelo clube tem dividido a agenda por temporadas este ano — e este foi o filme que encerrou a temporada de filmes queer (infelizmente, não consegui estar presente na maioria).

Estamos em 1993 e, após ser apanhada aos beijos com uma amiga, Cameron Post é mandada pela tia — com quem vive — para um centro de terapia de conversão. É a essa experiência que assistimos, com tudo o que se pode esperar: uma figura autoritária, rígida e inflexível; a "cura" sempre com a "ajuda de Deus" e o papel da religião; a homossexualidade sempre tratada como se fosse uma aberração, um pecado.

Confesso que, por algum motivo, esperava sempre ver jovens a rebelar-se, mas achei interessante que o filme não quisesse ir por aí; na verdade, talvez seja mais realista que a maioria das pessoas acabe submissa ou, pelo menos, resignada ao seu destino (ainda mais numa época em que era ainda menos aceite).

Ainda assim, não é um filme fácil de ver. É triste e revoltante quando vemos que familiares destes jovens acham que os estão a ajudar, quando acreditam que os puseram ali por amor. Mas posso já adiantar que tem um final algo esperançoso. Gostei muito e recomendo.





Finalmente, cheguei a um dos livros da saga de Hunger Games que ainda não tinha lido, apesar de ter ido ver o filme ao cinema. Com a minha péssima memória, claro que já nem do filme praticamente me lembrava; por isso, de certa forma, foi quase como conhecer a história pela primeira vez.

Começo já pelos pontos menos positivos, mas de pouca significância: achei o livro um pouco longo sem ser necessário e, em certos momentos (mais especificamente, nos concertos dos Covey), um pouco repetitivo.

Ainda assim, este livro é bastante bom e parte de uma premissa interessante: achamos que vamos ler como Snow se tornou o vilão que conhecemos dos primeiros três livros, apenas para percebermos que ele nunca foi uma boa pessoa para começar.

E, nesse sentido, este livro é um 'character study' muito decente. Acho que tinha potencial para ser ainda melhor, mas talvez isso não tenha lugar num livro de young adult.

Em todo o caso, acho que está muito bem feita a forma como Snow parece, inicialmente, uma pessoa pelo menos decente, fazendo-nos questionar como raio se tornou ele num vilão — embora no livro se perceba bastante mais rápido o seu carácter problemático, em comparação com o filme.

Rodeado de pessoas que o amam e apoiam, Snow contraria um ambiente enriquecedor para criar uma pessoa decente. Em vez disso, é uma pessoa calculista, com tendências narcisistas e, paradoxal e simultaneamente, com complexos de superioridade e inferioridade que o ditam como vítima de todos, mas, ao mesmo tempo, como alguém acima de muitos que o rodeiam.

Talvez me esteja a repetir um pouco, mas acho mesmo que isto é aquilo que torna o livro numa experiência interessante — a forma como se centra na personagem e nos apresenta o seu mundo, de um ponto de vista de um vilão complexo e problemático.

Gostei muito. Falta ler apenas o quinto livro, Amanhecer na Ceifa, que é também uma prequela; mas fá-lo-ei a pouco tempo de sair o filme, em Novembro. Estou a gostar muito desta 'viagem' que decidi fazer por toda a série este ano.




Hoje trago um jogo para os amantes de jogos confortáveis, relaxantes e descontraídos e para os amantes de livros: Tiny Bookshop.


A premissa começa com o nosso escape da vida caótica; embarcamos numa aventura para uma pequena localidade junto ao mar, apenas com o nosso carro e o reboque que será a nossa pequena livraria.


É um jogo muito simples que consiste simplesmente em gerirmos essa livraria: a decoração, o stock, os livros que colocamos em prateleira para o dia, e também recomendações pedidas pelos nossos clientes. No meio de tudo isso, vamos conhecendo e montando a loja em diferentes sítios desta localidade, além de nos familiarizarmos também com alguns dos locais.


A melhor parte? Todos os livros são reais! É isso mesmo: quando lemos os títulos e as pequenas sinopses de tudo o que temos para venda com o propósito de recomendar algum livro a um cliente, estamos a fazê-lo com histórias que existem. Portanto, o que podem esperar é que a vossa lista para ler aumente — nem que seja só um pouquinho — com histórias que antes não conheciam. Ou, claro, a surpresa agradável de ver um título com o qual já estão familiarizados.


O jogo não passa disto — embora haja uma história para completar; é um jogo muito simples, mas isso também o torna perfeito para quando procuramos simplesmente um passatempo sem esforço, que nos permita relaxar.


Está disponível para PC e Mac, Nintendo Switch, Playstation 5, Xbox Series S e X, Android e iOS.

Olá! Estive de férias e depois doente com uma gastroenterite — na verdade, ainda a meio delas, e na verdade, ainda a recuperar. Explicado o mini-desaparecimento, venho partilhar breves apontamentos sobre alguns filmes que vi — só porque acho que merecem menção.


The Odyssey: Facilmente um dos melhores filmes do ano, senão o melhor. Desconheço (ainda) o material original, mas aceito a explicação de que isto é apenas uma interpretação pessoal do mesmo. Acredito que em IMAX seja ainda melhor, mas vi numa sala de cinema normal e não se perde nada da experiência. Entretanto, fez-nos comprar as edições da Ilíada e da Odisseia de Frederico Lourenço, e fez-me começar a ouvir Mythos de Stephen Fry (que acabei por comprar entretanto, porque estava a perder-me imenso com o audiolivro).

Spider-Man: Brand New Day: Não só o melhor filme do Spider-Man, como também um dos melhores da Marvel. Gosto da forma como pega na saúde mental, em trauma, e como é tão pesado emocionalmente. E a vilã é super interessante, mas isto vem de alguém que não lê a banda desenhada e não a conhecia.



The Sheep Detectives: Não esperava algo tão bom de uma premissa com ovelhas que investigam, mas é. Descobri há pouco tempo que é baseado num livro e que existem três, por isso talvez isto se torne uma trilogia. É um filme muito divertido e tenho pena de estar numa missão "reler/ler toda a série de livros de Hunger Games" e "ler toda a série de Dungeon Crawler Carl", porque agora estou com saudades de ler um bom murder mystery.

Minions & Monsters: É um filme surpreendentemente decente e divertido, com imensas referências ao cinema e a determinados filmes, muitos deles que nem conheço. É um bom filme de Domingo à tarde!

The Usual Suspects: Mais um em que o meu namorado comete o erro de me dizer "vê, porque tem um bom plot twist!", porque quando me dizem isso, eu adivinho sempre qual é. É um filme feito para uma audiência mais masculina, mas tem uma história interessante, alguns planos bastante bons, e certos diálogos memoráveis. Gostei muito! Agora vou fazer aquela piada que só quem já viu Brooklyn Nine Nine percebe: teria sido melhor ainda se o alinhamento de suspeitos tivesse começado a cantar I Want It That Way.
Podia ser este o nome do filme (qualquer um deles), na minha experiência, porque é assim que encontro a sala de cinema sempre que sai um novo filme do Homem-Aranha.

Dizia às pessoas que a última vez que tinha visto uma sala de cinema cheia tinha sido no (agora) penúltimo filme, No Way Home, em 2021. Já tinha sido há um tempo. Este Brand New Day figurará no meu novo termo de comparação, daqui em diante, até ao próximo.

Com certeza, a experiência será diferente noutro local. Em Lisboa, se calhar é fácil encher uma sala — basta olhar até para as lotações do Odisseia — mas, por incrível que pareça, nem o Odisseia encheu uma sala aqui tanto como o fez o Homem-Aranha (ainda que lá estivesse muita gente na mesma).

Não, esta publicação não será sobre o novo filme do Homem-Aranha (ainda que tivesse muito de positivo a dizer), mas sobre a magia que encontro no facto de, sempre que um filme desta saga sai, poder reviver a experiência de uma sala de cinema praticamente lotada.

Lembra-me muito os bons velhos tempos: quando o cinema era bastante mais valorizado e frequentado do que o é hoje, quando se tornava a única opção — ou uma das poucas opções viáveis — de ver um filme, pelo menos antes de sair em cassete ou, mais tarde, DVD.

Há muito a dizer sobre a experiência de ver um filme no cinema hoje em dia e o risco que acarreta — muitas pessoas já não sabem estar num cinema. Telemóveis a serem usados tornaram-se algo normal, conversas entre amigos também, ou, como aconteceu na nossa sessão de Obsession, alguém a roncar sonoramente ao nosso lado.

Certa vez, uma pessoa disse-me que tinha uma teoria: quanto mais cheia a sala de cinema, menos problemas parecem existir. Desde então, tenho tentado reparar na sua veracidade e, na minha experiência, tem-se confirmado. Embora, claro está, seja uma generalização, e todas as generalizações são, por si só, falaciosas.

O que é certo é que Homem-Aranha me fez regressar mais uma vez ao passado; certo que houve pelo menos telemóveis, mas poder, em 2026, viver uma sala cheia, lotada de pessoas verdadeiramente interessadas em ver um filme, e com um ou outro problema menor é um milagre hoje em dia — e é um milagre pelo qual vou agradecer.

Acaba por ser uma experiência nostálgica: transpor a porta para o início dos 2000s, ainda que o filme, os telemóveis, as roupas das pessoas que ali entram não o ditem. É só um ambiente que se sente.

É um fenómeno que eu não compreendo porque está exclusivamente ligado a esta personagem da Marvel — o meu namorado fã de comics e da MCU diz que é por ser das personagens mais conhecidas e amadas da Marvel. Depois só entra uma resposta passional da minha parte: de certeza que o Iron Man também era, se não o tivessem matado.

(Desculpem pelo spoiler, mas também, foi em 2019, ganhem vergonha na cara. ❤️)

Enfim, não interessa o que leva tanta gente ali; só queria fazer toda uma publicação em que não digo nada de jeito para concluir: adoro como todos os filmes do Homem-Aranha se estão a tornar na oportunidade 'de uma vida' que tenho de, mais uma vez, ver uma sala praticamente lotada.

Gostaria de experienciá-lo mais vezes? Sim, mas depois também se tornava menos especial.

Em I Saw The TV Glow, vemos Owen, um adolescente, que passa o tempo imerso num estranho programa de televisão — gosto que partilha com a sua colega Maddy, sendo que vêem o programa juntos várias vezes. É um programa sobrenatural e, à medida que o filme avança, o programa mistura-se com a realidade de uma forma que dificulta a Owen perceber o que é real e o que não é.


Quero tentar fazer justiça a este filme, porque acho que é tão importante, mas, na mesma medida, é incrivelmente desconfortável. Foi uma experiência que ficou comigo, que vai ficar por muito tempo; mas não sei se estou numa fase em que quereria ter visto algo deste tipo. Trouxe-me muitas emoções e um desconforto que hoje, dias depois, ainda vive comigo.


É um filme muito metafórico e simbólico, completamente aberto à interpretação. Para mim, duas coisas tornam-se claras nele: numa primeira camada, retrata a forma como a nossa identidade pode estar tão ligada às várias fontes de media que consumimos e que hoje existem no mundo. Mas, numa camada bem mais profunda (mas que o filme transmite de forma bem mais clara), mostra-nos aquilo que perdemos quando não somos verdadeiros connosco; quando não somos autênticos; quando não existe coragem de sermos nós próprios.


Esta mensagem é sugerida numa perspectiva LGBTQIA+ e, mais especificamente, trans. E o que acontece quando alguém reprime algo tão fundamental é que se começa a definhar — literal e metaforicamente. Perde-se o verdadeiro Eu, que morre aos poucos, em prol não se sabe bem do quê (pressões sociais e familiares). Quando a personagem percebe que não é esta realidade que quer viver, é tarde demais.


Este filme é visualmente belo, com uma paleta de tons incrível. A banda sonora é maravilhosa. E deu-me muitas vibes de David Lynch, o que, para mim, será sempre um ponto positivo.


Mas quem conhece o trabalho de David Lynch já pode perceber que também este filme de Jane Schoenbrun contém muita bizarria. Tem cenas incrivelmente desconfortáveis; primeiro, que apenas pretendem criar alguma confusão, mas, a partir de certo ponto, que pretendem realmente mexer com as entranhas das pessoas, surpreender com emoções negativas.


Obriga-nos a sentar com esse desconforto e é talvez este o único motivo por que acabei por dar uma nota menor do que o filme talvez merecesse. Não por ser mau, não por não merecer mais; mas porque me deu uma experiência desagradável numa altura em que talvez não a quisesse viver. Acho que estou simplesmente numa fase mais sensível em que não é isto que quero sentir. Mas isso nada tem a ver com o filme em si, que está incrivelmente bem feito e, para quem tiver estômago, é uma forte recomendação.


Por outro lado, gostava apenas de acrescentar que vi pelo menos duas pessoas no Letterboxd, trans, falar do quanto este filme as ajudou a reconhecer quem são e a expressar a sua identidade aos outros. Isto é incrível. Talvez o desconforto do filme seja para aqueles que já o viviam.


(3.75)

Para este, utilizo a própria sinopse para resumir:


Esta é a história de uma família: de um pai e marido que não sabia ser melhor, de uma filha que se esforçava por cumprir todos os papéis e de uma mãe e mulher que, aos olhos de todos, era louca.

Matilde viveu com os pais, Clara e António, até aos 18 anos, altura em que a mãe morreu. Sete anos depois, vê-se órfã, agora, também sem pai. E é então, dois dias depois da mudança abrupta - a solidão, a perda de referências, o silêncio e o vazio da casa -, que Matilde descobre algo que muda, irremediavelmente, a sua vida.


Mais tarde, refere-se na nota da autora que a mãe de Matilde sofria da perturbação de personalidade borderline (como formada em Psicologia, foi giro o jogo que fiz comigo mesma para adivinhar aquilo que ela tinha).


Filha da Louca é um livro bastante introspectivo, que discorre, acima de tudo, sobre as memórias de Matilde ao crescer com a sua mãe e, mais tarde, apenas com o seu pai. Da autora, apenas li A Cicatriz e noto uma maior maturidade neste livro, tanto na escrita como na forma de abordar os temas.


Achei a escrita muito fluida e, na sua maioria, foi um livro muito fácil de ler, até porque é relativamente curto — ainda que, a partir da metade, se tenha tornado repetitivo em certos pontos.


É um livro pesado, em grande parte pelos comportamentos que Clara tem, por sabermos que uma criança não deveria passar por tudo aquilo. Mas também achei interessante ler a perspectiva de alguém que simplesmente cresceu assim; que, de certa forma, está 'habituada' — a relação entre mãe e filha é sufocante, mas Matilde não se sente sufocada (pelo menos de forma activa). Essa seria a reacção óbvia, mas gostei que Maria Francisca Gama tivesse escolhido antes um caminho de resignação, de "este é o meu normal, e nem sabia que não era até mais tarde", que foi trilhado desde tenra idade.


Sinto que as partes negativas de borderline estão muito bem representadas. No entanto — agora entramos no lado negativo do livro —, depois de ler A Cicatriz, começo a notar um padrão nos livros desta autora que não me agrada.


É completamente irrealista que Clara não tenha tido uma única fase estável — está sempre em crise, sempre imprevisível, sempre instável. É irrealista que não haja uma única referência à procura de ajuda (ainda mais quando uma criança está envolvida). Mesmo num certo ponto da história em que seria expectável que a mãe de Matilde se encontrasse minimamente estável, não há qualquer sinal que indique que esteja nem que esteja bem.


Portanto, embora os traços da perturbação em si estejam bem representados, uma pessoa com borderline não está, e Clara é uma personagem reduzida à sua doença. Ironicamente, este livro retrata esta mãe como apenas «a louca», também.


E isto leva-me a um ponto em ambos os livros que me incomoda profundamente, mas fico com a sensação de que Maria Francisca Gama escreve muito para chocar, de forma quase sensacionalista. Já n'A Cicatriz fiquei com um gosto amargo pela forma como abordou todos os temas.


Não sei se vou continuar a ler livros desta autora. Muito embora goste da escrita e da experiência de leitura em si, chego sempre ao fim com uma sensação de serem livros e abordagens muito questionáveis.


(3.75)






Meet the Newmans é um programa de televisão americano que tem sido o favorito há duas décadas e que nos mostra a vida dos Newmans: a família americana perfeita (pelo menos, no ecrã). Del, o patriarca que se encarrega de tudo o que diz respeito ao programa; Dinah, a mulher dona de casa; e os seus filhos Shep e Guy.


Estamos em 1964 e Del tem um acidente que o coloca em coma, deixando Dinah a ter de tomar as rédeas de um programa que corre o risco de ser cancelado — depois de 20 anos, já ninguém tem interesse em ver a família americana perfeita — e a ter de escrever o episódio final perfeito.


A premissa é interessante, com o tema das vidas fora do ecrã e centrando-se no feminismo, já que Dinah passa a ter um papel fulcral na série e tem ainda de descobrir quem é para além de ser apenas a mulher de Del. Fora isso, também temos mulheres que não querem apenas casar e ser donas de casa, filhos que não querem seguir o caminho perfeito que os pais trilharam para eles, e até um casal gay que tem de esconder o seu romance por não ser aceite e para proteger as carreiras de ambos.


O problema? Este livro é contado sob demasiados pontos de vista de diferentes personagens, e querer falar sobre tudo resultou em não desenvolver nada o suficiente.


Este livro começou de forma satisfatória: nada de extraordinário, mas nada mau também. Estava a ser uma leitura prazerosa q.b. Mas a partir da metade, começou a ficar arrastado, a aborrecer-me e eu comecei a ler o mais rápido possível para o terminar o quanto antes. Um livro que começou por ser um 3.5 de 5 para mim, foi descendo: para 3, para 2.5, e mais uma vez para a nota final que lhe dei.


Há pouco neste livro que faça algum sentido para mim. Temos várias coisas a acontecer a esta família (sobretudo ligadas à imprensa), coisas que podem potencialmente estragar a sua imagem pública, mas depois de algumas linhas a falar do quão más estas coisas são, não há quaisquer consequências destes acontecimentos nas vidas deles. Nem parece que estas publicações saíram e insinuaram aquilo que insinuaram.


Além disso, é tão irrealista a rapidez com que personagens neste livro mudam de opinião, sobretudo em coisas que são princípios e valores fundamentais da personalidade de cada um. Não estamos apenas a falar de "não gostava de chocolate e agora gosto."


Dois dos pontos de vista e duas das personagens têm das histórias e arcos mais aborrecidos de sempre.


E, por fim, este é um livro sobre 1964 claramente escrito em 2025/26 no que diz respeito ao feminismo. A princípio, ainda tentei ler de mente aberta e pensar que, provavelmente, havia mesmo pessoas naquela altura já a pensar desta forma. O problema é que Jennifer Niven não se ficou por aí; decidiu começar a empanturrar quase todas as páginas com feminismo dos dias de hoje, de forma tão repetitiva, descarada e cliché que se tornou impossível acreditar nesta era e nestas personagens.


Aliás, falando em clichés, a história está cheia deles e algumas personagens também, tornando-se um estereótipo completo.


Este livro podia ter sido qualquer coisa de bom; era promissor, mas, em vez disso, saiu uma coisa tão insípida e desinteressante. Não recomendo.


(Na verdade, é um 2.25)

Ainda na leva de memórias que tenho para recuperar do mês anterior, queria vir falar um pouco sobre a feira do livro de Lisboa, como sempre faço.

Será assim tão importante para o meu eu futuro saber aquilo que comprou na edição de 2026? Não sei, mas a este ponto, já se tornou tradição.

Este ano deu para muito pouco, apenas passei rapidamente numa noite para comprar os livros que queria e... foi isso, infelizmente.

Não houve tempo ou oportunidade para ouvir sessões ou participar em autógrafos (infelizmente, porque teria gostado muito de rever a Rita da Nova e de conhecer a Bárbara Cardoso), e muito menos para voltar a estar presente numa Hora H.

Como sempre faço, listei todos os livros do dia e nunca me aconteceu tal coisa como este ano: tinha quase 50 livros que queria num só dia. Para contexto, todos os dias que listo andam sempre à volta de, no máximo, 8 livros.

Mas também estou convencida de que foi um erro técnico do site: primeiro, porque nenhum outro dia tinha tantos livros do dia, no geral, como aquele; e depois, porque foi nesse dia que fui e, com apenas 5 livros seleccionados dos quase 50, houve 2 que na verdade não estavam como livro do dia sequer.

E sim, consegui a proeza de seleccionar apenas 5 livros dos quase 50 que tinha. Na verdade, foi muito fácil cortar livros da lista: bastou-me procurá-los no catálogo da BiblioLed e da minha biblioteca municipal; tudo o que lá estava presente saiu da lista para comprar. Com os que restaram, aí sim, foi uma questão de pesar variáveis.

Assim, dos que já estavam na minha lista, comprei:

  • Caraval, Stephanie Garber: Não sou muito de ler fantasia, mas queria experimentar e o nome deste livro sempre me fascinou, por algum motivo (a sinopse também despertou interesse, claro). Como uma das minhas estratégias de selecção foi "aproveitar bons negócios em livros que, normalmente, custam 20€ ou mais", este foi para a lista.
  • Era Uma Vez Um Cravo: Um livro simples sobre o 25 de Abril, por 1€ e com ilustrações? Não dói nada.
  • O Pintor Debaixo do Lava-Loiças, Afonso Cruz: Li este livro no e-reader em 2020. Adorei-o e sabia que queria a edição física. Seis anos depois, aconteceu. E preciso muito de reler, porque embora me recorde perfeitamente do quanto gostei dele, já não me recordo tanto do livro em si.

Os improvisos do banco de suplentes criado à pressa:

  • Vamos Comprar Um Poeta, Afonso Cruz: Tenho muita curiosidade, fazia parte da lista de 50 livros e não estava muito caro. Veio comigo.
  • A Desobediente, Patrícia Reis: Estou com receio de não conseguir lê-lo por ser biografia, mas não existe audiolivro até ao momento. Pareceu-me importante que, para comprar um à última da hora, este fosse o escolhido.

Aqueles que tinha na lista porque o site me enganou e não estavam como livro do dia (ambos seguindo a estratégia de "normalmente são à volta de 20€, portanto, é aproveitar"):

  • Ecologia, Joana Bértholo
  • A Vida Invisível de Addie LaRue, V.E. Schwab

Foram poucos? Sim, mas foram bons. Pelo menos, espero que sejam. Tive muita pena de não conseguir aproveitar os dois que ficaram para trás, mas mais uma vez saio, infelizmente, com uma impressão negativa do site porque me senti enganada.

Aliás, já não me recordo de qual, mas pesquisei estes dois livros no site, no próprio momento, e um deles nem sequer tinha estado como livro do dia em dia nenhum, nem ia estar. Para quê incluí-lo como livro do dia naquele dia, então?

O que aprendi com isto foi a confirmar a lista novamente um dia antes, ou até uma semana antes, tendo em conta que, sendo de longe, escolho o dia/fim de semana para ir à feira conforme a lista de livros que consulto semanas antes. E se essa lista já vem errada...

Revi no mês passado aquele que sempre figurou na minha lista de filmes favoritos. E tinha de falar dele, não por ser um favorito, mas pela experiência enriquecedora de revermos filmes com o peso da idade, da sabedoria, e da maturidade.


Se, na altura, vi Casablanca com o entendimento de que era um romance que se passava na altura da Segunda Guerra Mundial; hoje compreendo que é um filme da altura da Segunda Guerra Mundial com algum romance.


É certo que não nos mostra um ponto de vista particularmente importante da Guerra, embora seja ainda significativo: vemos exilados da guerra, sim, mas exilados com dinheiro. Um grupo completamente diferente de outros que o filme não pretende mostrar.


Ainda assim, conseguimos perceber o clima de medo e opressão que se vive, até mesmo dentro deste grupo. Se há cena poderosa, é aquela em que um bar inteiro canta A Marselhesa num acto de resistência a uma guerra sem fim à vista.


E claro, não mentindo, o filme também é sobre o romance de uma relação que já foi e não pode ser mais. E também o faz de forma bonita. Afinal, como Rick dizia, teremos sempre Paris. E eu vou sempre amar muito este filme, com uma história de amor que não esconde os efeitos da guerra.




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