Meet the Newmans é um programa de televisão americano que tem sido o favorito há duas décadas e que nos mostra a vida dos Newmans: a família americana perfeita (pelo menos, no ecrã). Del, o patriarca que se encarrega de tudo o que diz respeito ao programa; Dinah, a mulher dona de casa; e os seus filhos Shep e Guy.
Estamos em 1964 e Del tem um acidente que o coloca em coma, deixando Dinah a ter de tomar as rédeas de um programa que corre o risco de ser cancelado — depois de 20 anos, já ninguém tem interesse em ver a família americana perfeita — e a ter de escrever o episódio final perfeito.
A premissa é interessante, com o tema das vidas fora do ecrã e centrando-se no feminismo, já que Dinah passa a ter um papel fulcral na série e tem ainda de descobrir quem é para além de ser apenas a mulher de Del. Fora isso, também temos mulheres que não querem apenas casar e ser donas de casa, filhos que não querem seguir o caminho perfeito que os pais trilharam para eles, e até um casal gay que tem de esconder o seu romance por não ser aceite e para proteger as carreiras de ambos.
O problema? Este livro é contado sob demasiados pontos de vista de diferentes personagens, e querer falar sobre tudo resultou em não desenvolver nada o suficiente.
Este livro começou de forma satisfatória: nada de extraordinário, mas nada mau também. Estava a ser uma leitura prazerosa q.b. Mas a partir da metade, começou a ficar arrastado, a aborrecer-me e eu comecei a ler o mais rápido possível para o terminar o quanto antes. Um livro que começou por ser um 3.5 de 5 para mim, foi descendo: para 3, para 2.5, e mais uma vez para a nota final que lhe dei.
Há pouco neste livro que faça algum sentido para mim. Temos várias coisas a acontecer a esta família (sobretudo ligadas à imprensa), coisas que podem potencialmente estragar a sua imagem pública, mas depois de algumas linhas a falar do quão más estas coisas são, não há quaisquer consequências destes acontecimentos nas vidas deles. Nem parece que estas publicações saíram e insinuaram aquilo que insinuaram.
Além disso, é tão irrealista a rapidez com que personagens neste livro mudam de opinião, sobretudo em coisas que são princípios e valores fundamentais da personalidade de cada um. Não estamos apenas a falar de "não gostava de chocolate e agora gosto."
Dois dos pontos de vista e duas das personagens têm das histórias e arcos mais aborrecidos de sempre.
E, por fim, este é um livro sobre 1964 claramente escrito em 2025/26 no que diz respeito ao feminismo. A princípio, ainda tentei ler de mente aberta e pensar que, provavelmente, havia mesmo pessoas naquela altura já a pensar desta forma. O problema é que Jennifer Niven não se ficou por aí; decidiu começar a empanturrar quase todas as páginas com feminismo dos dias de hoje, de forma tão repetitiva, descarada e cliché que se tornou impossível acreditar nesta era e nestas personagens.
Aliás, falando em clichés, a história está cheia deles e algumas personagens também, tornando-se um estereótipo completo.
Este livro podia ter sido qualquer coisa de bom; era promissor, mas, em vez disso, saiu uma coisa tão insípida e desinteressante. Não recomendo.

2 comentários
Para quem tem listas intermináveis de livros para ler, é refrescante poder usar as "amigas virtuais" para poder filtrar alguns.
ResponderEliminarExcelente resenha e reconheço perfeitamente essa tentativa de actualizar conceitos sem saber a matéria e acabar em clichés desnecessários.
Ainda bem que a review ajudou nesse sentido!
EliminarSe o livro fosse mais curto, eu até recomendaria para "limpa-palato" — ele não é péssimo —, mas infelizmente a sua extensão fez-me só sentir muito frustrada.