Desapareci. Sendo sincera, estava convencida de que iria dar este blog por terminado. Por vários motivos, ou talvez apenas três:
- Sinto que perdi leitores. Com total transparência, se isto acontece por uma mudança de plataforma, não me faz sentir que esteja a fazer um trabalho assim tão bom.
- Já disse aqui várias vezes que, se quisesse escrever para mim mesma, não precisava de o fazer aqui. A partilha que sentia desapareceu por completo. Tanto este como o ponto anterior fizeram-me sentir uma desmotivação gigante em vir aqui partilhar seja o que for.
- A minha vida mudou muito nos últimos meses. Tenho menos tempo mas, mais importante talvez, passo menos tempo ao computador, o que também vai influenciar o tempo que passo a escrever para este blog (recuso-me a fazê-lo no telemóvel, por razões que penso serem claras).
Desapareci e senti-me livre. Ultimamente, escrever para este blog parecia uma obrigação e uma que nem estava a dar frutos.
Senti-me livre e senti uma aceitação de que talvez este ciclo estivesse terminado.
Depois... Alguém falou de um livro num podcast, um livro que li há uns anos, um livro sobre o qual escrevi no meu blog do Sapo. Fui procurar a publicação, revisitar a minha opinião, relembrar a minha experiência com esse livro.
E, por incrível que pareça, esse momento mudou tudo. Pensei, 'que maravilhoso é ter este registo ao qual posso voltar sempre que me apetece' (bom, não no Sapo... mas ele está guardado aqui, no Blogger). Que bom poder escapar à falta de memória com palavras que eu escrevi, um eu tão longínquo, mas que viveu aquilo e o deixou marcado. Que bom poder relembrar depois de esquecer.
Não sei se me sinto tão confortável quanto achava com a ideia de simplesmente deixar de o fazer. Deixar de registar. Logo eu, que tenho uma memória tão má para tudo o que consumo! O que resta, meses depois? Se deixar de escrever, não resta nada.
Não me interpretem mal; tem sido todo um processo de adaptação, esta mudança. Uma montanha-russa de reviravoltas, mudanças de ideias atrás de mudanças de ideias, um novelo de confusão. Eu não quero que este blog pareça um trabalho, uma obrigação.
E, por isso, não só decidi voltar (por enquanto, eu não consigo prometer nada quando eu própria me sinto tão volátil), mas decidi voltar aos básicos, ao simples. Perdoem-me, mas que se danem as imagens 'bonitinhas' com capas, resumos, notas. Isso requer um esforço ao qual não tenho, neste momento, interesse em dedicar tempo. Eu só quero escrever. Não quer dizer que o vá fazer sempre, nem quer dizer que o vá fazer com tudo. Posso até passar outro mês e meio sem aparecer. Desde que apareça sempre, para falar do que me faz sentido.
Para que a Vera de 2027, 2030, 2050, possa ter acesso ao que um dia foi, ao que um dia fui. Que isto seja aquilo que tiver de ser; mas acima de tudo, que seja o meu próprio caderno de memórias. Se quiserem fazer parte da viagem, só posso agradecer.
Mas acho que finalmente percebi que a parte mais importante deste registo é a minha.
2 comentários
Vera, este teu texto é de uma lucidez e de uma coragem desarmantes. Que bom que decidiste voltar e, acima de tudo, que bom que decidiste voltar para ti.
ResponderEliminarEscrever na internet hoje em dia, fora do ruído instantâneo das redes sociais, é um ato de resistência. Quando mudamos de plataforma ou quando os números oscilam, a sensação de estarmos a falar para o vazio desmotiva qualquer um. É humano sentirmos isso. Mas a verdade mais bonita do teu regresso está no teu reencontro com o teu próprio arquivo: a escrita como o único porto seguro contra o esquecimento. Escrevemos para que o nosso "eu" do futuro saiba quem fomos.
Libertares-te da obrigação das imagens perfeitas, das notas e dos resumos é o melhor que podias ter feito por ti e pelo blog. A blogosfera faliu quando tentou imitar as revistas de tendências; ela brilha quando volta a ser isto: texto puro, humano, visceral e livre de prazos.
A Vera do futuro vai agradecer-te muito por não teres deixado o fio à meada. Por aqui, deste lado, continuarei a ler-te com o vagar que a boa escrita merece — sempre que decidires aparecer.
Um abraço apertado.
Obrigada pelas palavras, Daniel. Aliás, obrigada por todos os comentários sempre que um pequeno empurrão estava em vista.
EliminarEu acredito que há lugar para a escrita e para o visual nos blogs; que se podem complementar muito bem. Mas a verdade é que a essência de um blog nunca deixará de ser a escrita (bom, exceptuando blogs de fotografia) e esse é, de facto, o meu único interesse neste momento.
Deste lado, continuarei a escrever para quem me quiser ler, mas agora, acima de tudo, para que um dia me possa reencontrar.
Um abraço de volta!