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Hoje trago um jogo para os amantes de jogos confortáveis, relaxantes e descontraídos e para os amantes de livros: Tiny Bookshop.


A premissa começa com o nosso escape da vida caótica; embarcamos numa aventura para uma pequena localidade junto ao mar, apenas com o nosso carro e o reboque que será a nossa pequena livraria.


É um jogo muito simples que consiste simplesmente em gerirmos essa livraria: a decoração, o stock, os livros que colocamos em prateleira para o dia, e também recomendações pedidas pelos nossos clientes. No meio de tudo isso, vamos conhecendo e montando a loja em diferentes sítios desta localidade, além de nos familiarizarmos também com alguns dos locais.


A melhor parte? Todos os livros são reais! É isso mesmo: quando lemos os títulos e as pequenas sinopses de tudo o que temos para venda com o propósito de recomendar algum livro a um cliente, estamos a fazê-lo com histórias que existem. Portanto, o que podem esperar é que a vossa lista para ler aumente — nem que seja só um pouquinho — com histórias que antes não conheciam. Ou, claro, a surpresa agradável de ver um título com o qual já estão familiarizados.


O jogo não passa disto — embora haja uma história para completar; é um jogo muito simples, mas isso também o torna perfeito para quando procuramos simplesmente um passatempo sem esforço, que nos permita relaxar.


Está disponível para PC e Mac, Nintendo Switch, Playstation 5, Xbox Series S e X, Android e iOS.

Olá! Estive de férias e depois doente com uma gastroenterite — na verdade, ainda a meio delas, e na verdade, ainda a recuperar. Explicado o mini-desaparecimento, venho partilhar breves apontamentos sobre alguns filmes que vi — só porque acho que merecem menção.


The Odyssey: Facilmente um dos melhores filmes do ano, senão o melhor. Desconheço (ainda) o material original, mas aceito a explicação de que isto é apenas uma interpretação pessoal do mesmo. Acredito que em IMAX seja ainda melhor, mas vi numa sala de cinema normal e não se perde nada da experiência. Entretanto, fez-nos comprar as edições da Ilíada e da Odisseia de Frederico Lourenço, e fez-me começar a ouvir Mythos de Stephen Fry (que acabei por comprar entretanto, porque estava a perder-me imenso com o audiolivro).

Spider-Man: Brand New Day: Não só o melhor filme do Spider-Man, como também um dos melhores da Marvel. Gosto da forma como pega na saúde mental, em trauma, e como é tão pesado emocionalmente. E a vilã é super interessante, mas isto vem de alguém que não lê a banda desenhada e não a conhecia.



The Sheep Detectives: Não esperava algo tão bom de uma premissa com ovelhas que investigam, mas é. Descobri há pouco tempo que é baseado num livro e que existem três, por isso talvez isto se torne uma trilogia. É um filme muito divertido e tenho pena de estar numa missão "reler/ler toda a série de livros de Hunger Games" e "ler toda a série de Dungeon Crawler Carl", porque agora estou com saudades de ler um bom murder mystery.

Minions & Monsters: É um filme surpreendentemente decente e divertido, com imensas referências ao cinema e a determinados filmes, muitos deles que nem conheço. É um bom filme de Domingo à tarde!

The Usual Suspects: Mais um em que o meu namorado comete o erro de me dizer "vê, porque tem um bom plot twist!", porque quando me dizem isso, eu adivinho sempre qual é. É um filme feito para uma audiência mais masculina, mas tem uma história interessante, alguns planos bastante bons, e certos diálogos memoráveis. Gostei muito! Agora vou fazer aquela piada que só quem já viu Brooklyn Nine Nine percebe: teria sido melhor ainda se o alinhamento de suspeitos tivesse começado a cantar I Want It That Way.
Podia ser este o nome do filme (qualquer um deles), na minha experiência, porque é assim que encontro a sala de cinema sempre que sai um novo filme do Homem-Aranha.

Dizia às pessoas que a última vez que tinha visto uma sala de cinema cheia tinha sido no (agora) penúltimo filme, No Way Home, em 2021. Já tinha sido há um tempo. Este Brand New Day figurará no meu novo termo de comparação, daqui em diante, até ao próximo.

Com certeza, a experiência será diferente noutro local. Em Lisboa, se calhar é fácil encher uma sala — basta olhar até para as lotações do Odisseia — mas, por incrível que pareça, nem o Odisseia encheu uma sala aqui tanto como o fez o Homem-Aranha (ainda que lá estivesse muita gente na mesma).

Não, esta publicação não será sobre o novo filme do Homem-Aranha (ainda que tivesse muito de positivo a dizer), mas sobre a magia que encontro no facto de, sempre que um filme desta saga sai, poder reviver a experiência de uma sala de cinema praticamente lotada.

Lembra-me muito os bons velhos tempos: quando o cinema era bastante mais valorizado e frequentado do que o é hoje, quando se tornava a única opção — ou uma das poucas opções viáveis — de ver um filme, pelo menos antes de sair em cassete ou, mais tarde, DVD.

Há muito a dizer sobre a experiência de ver um filme no cinema hoje em dia e o risco que acarreta — muitas pessoas já não sabem estar num cinema. Telemóveis a serem usados tornaram-se algo normal, conversas entre amigos também, ou, como aconteceu na nossa sessão de Obsession, alguém a roncar sonoramente ao nosso lado.

Certa vez, uma pessoa disse-me que tinha uma teoria: quanto mais cheia a sala de cinema, menos problemas parecem existir. Desde então, tenho tentado reparar na sua veracidade e, na minha experiência, tem-se confirmado. Embora, claro está, seja uma generalização, e todas as generalizações são, por si só, falaciosas.

O que é certo é que Homem-Aranha me fez regressar mais uma vez ao passado; certo que houve pelo menos telemóveis, mas poder, em 2026, viver uma sala cheia, lotada de pessoas verdadeiramente interessadas em ver um filme, e com um ou outro problema menor é um milagre hoje em dia — e é um milagre pelo qual vou agradecer.

Acaba por ser uma experiência nostálgica: transpor a porta para o início dos 2000s, ainda que o filme, os telemóveis, as roupas das pessoas que ali entram não o ditem. É só um ambiente que se sente.

É um fenómeno que eu não compreendo porque está exclusivamente ligado a esta personagem da Marvel — o meu namorado fã de comics e da MCU diz que é por ser das personagens mais conhecidas e amadas da Marvel. Depois só entra uma resposta passional da minha parte: de certeza que o Iron Man também era, se não o tivessem matado.

(Desculpem pelo spoiler, mas também, foi em 2019, ganhem vergonha na cara. ❤️)

Enfim, não interessa o que leva tanta gente ali; só queria fazer toda uma publicação em que não digo nada de jeito para concluir: adoro como todos os filmes do Homem-Aranha se estão a tornar na oportunidade 'de uma vida' que tenho de, mais uma vez, ver uma sala praticamente lotada.

Gostaria de experienciá-lo mais vezes? Sim, mas depois também se tornava menos especial.

Em I Saw The TV Glow, vemos Owen, um adolescente, que passa o tempo imerso num estranho programa de televisão — gosto que partilha com a sua colega Maddy, sendo que vêem o programa juntos várias vezes. É um programa sobrenatural e, à medida que o filme avança, o programa mistura-se com a realidade de uma forma que dificulta a Owen perceber o que é real e o que não é.


Quero tentar fazer justiça a este filme, porque acho que é tão importante, mas, na mesma medida, é incrivelmente desconfortável. Foi uma experiência que ficou comigo, que vai ficar por muito tempo; mas não sei se estou numa fase em que quereria ter visto algo deste tipo. Trouxe-me muitas emoções e um desconforto que hoje, dias depois, ainda vive comigo.


É um filme muito metafórico e simbólico, completamente aberto à interpretação. Para mim, duas coisas tornam-se claras nele: numa primeira camada, retrata a forma como a nossa identidade pode estar tão ligada às várias fontes de media que consumimos e que hoje existem no mundo. Mas, numa camada bem mais profunda (mas que o filme transmite de forma bem mais clara), mostra-nos aquilo que perdemos quando não somos verdadeiros connosco; quando não somos autênticos; quando não existe coragem de sermos nós próprios.


Esta mensagem é sugerida numa perspectiva LGBTQIA+ e, mais especificamente, trans. E o que acontece quando alguém reprime algo tão fundamental é que se começa a definhar — literal e metaforicamente. Perde-se o verdadeiro Eu, que morre aos poucos, em prol não se sabe bem do quê (pressões sociais e familiares). Quando a personagem percebe que não é esta realidade que quer viver, é tarde demais.


Este filme é visualmente belo, com uma paleta de tons incrível. A banda sonora é maravilhosa. E deu-me muitas vibes de David Lynch, o que, para mim, será sempre um ponto positivo.


Mas quem conhece o trabalho de David Lynch já pode perceber que também este filme de Jane Schoenbrun contém muita bizarria. Tem cenas incrivelmente desconfortáveis; primeiro, que apenas pretendem criar alguma confusão, mas, a partir de certo ponto, que pretendem realmente mexer com as entranhas das pessoas, surpreender com emoções negativas.


Obriga-nos a sentar com esse desconforto e é talvez este o único motivo por que acabei por dar uma nota menor do que o filme talvez merecesse. Não por ser mau, não por não merecer mais; mas porque me deu uma experiência desagradável numa altura em que talvez não a quisesse viver. Acho que estou simplesmente numa fase mais sensível em que não é isto que quero sentir. Mas isso nada tem a ver com o filme em si, que está incrivelmente bem feito e, para quem tiver estômago, é uma forte recomendação.


Por outro lado, gostava apenas de acrescentar que vi pelo menos duas pessoas no Letterboxd, trans, falar do quanto este filme as ajudou a reconhecer quem são e a expressar a sua identidade aos outros. Isto é incrível. Talvez o desconforto do filme seja para aqueles que já o viviam.


(3.75)

Para este, utilizo a própria sinopse para resumir:


Esta é a história de uma família: de um pai e marido que não sabia ser melhor, de uma filha que se esforçava por cumprir todos os papéis e de uma mãe e mulher que, aos olhos de todos, era louca.

Matilde viveu com os pais, Clara e António, até aos 18 anos, altura em que a mãe morreu. Sete anos depois, vê-se órfã, agora, também sem pai. E é então, dois dias depois da mudança abrupta - a solidão, a perda de referências, o silêncio e o vazio da casa -, que Matilde descobre algo que muda, irremediavelmente, a sua vida.


Mais tarde, refere-se na nota da autora que a mãe de Matilde sofria da perturbação de personalidade borderline (como formada em Psicologia, foi giro o jogo que fiz comigo mesma para adivinhar aquilo que ela tinha).


Filha da Louca é um livro bastante introspectivo, que discorre, acima de tudo, sobre as memórias de Matilde ao crescer com a sua mãe e, mais tarde, apenas com o seu pai. Da autora, apenas li A Cicatriz e noto uma maior maturidade neste livro, tanto na escrita como na forma de abordar os temas.


Achei a escrita muito fluida e, na sua maioria, foi um livro muito fácil de ler, até porque é relativamente curto — ainda que, a partir da metade, se tenha tornado repetitivo em certos pontos.


É um livro pesado, em grande parte pelos comportamentos que Clara tem, por sabermos que uma criança não deveria passar por tudo aquilo. Mas também achei interessante ler a perspectiva de alguém que simplesmente cresceu assim; que, de certa forma, está 'habituada' — a relação entre mãe e filha é sufocante, mas Matilde não se sente sufocada (pelo menos de forma activa). Essa seria a reacção óbvia, mas gostei que Maria Francisca Gama tivesse escolhido antes um caminho de resignação, de "este é o meu normal, e nem sabia que não era até mais tarde", que foi trilhado desde tenra idade.


Sinto que as partes negativas de borderline estão muito bem representadas. No entanto — agora entramos no lado negativo do livro —, depois de ler A Cicatriz, começo a notar um padrão nos livros desta autora que não me agrada.


É completamente irrealista que Clara não tenha tido uma única fase estável — está sempre em crise, sempre imprevisível, sempre instável. É irrealista que não haja uma única referência à procura de ajuda (ainda mais quando uma criança está envolvida). Mesmo num certo ponto da história em que seria expectável que a mãe de Matilde se encontrasse minimamente estável, não há qualquer sinal que indique que esteja nem que esteja bem.


Portanto, embora os traços da perturbação em si estejam bem representados, uma pessoa com borderline não está, e Clara é uma personagem reduzida à sua doença. Ironicamente, este livro retrata esta mãe como apenas «a louca», também.


E isto leva-me a um ponto em ambos os livros que me incomoda profundamente, mas fico com a sensação de que Maria Francisca Gama escreve muito para chocar, de forma quase sensacionalista. Já n'A Cicatriz fiquei com um gosto amargo pela forma como abordou todos os temas.


Não sei se vou continuar a ler livros desta autora. Muito embora goste da escrita e da experiência de leitura em si, chego sempre ao fim com uma sensação de serem livros e abordagens muito questionáveis.


(3.75)






Meet the Newmans é um programa de televisão americano que tem sido o favorito há duas décadas e que nos mostra a vida dos Newmans: a família americana perfeita (pelo menos, no ecrã). Del, o patriarca que se encarrega de tudo o que diz respeito ao programa; Dinah, a mulher dona de casa; e os seus filhos Shep e Guy.


Estamos em 1964 e Del tem um acidente que o coloca em coma, deixando Dinah a ter de tomar as rédeas de um programa que corre o risco de ser cancelado — depois de 20 anos, já ninguém tem interesse em ver a família americana perfeita — e a ter de escrever o episódio final perfeito.


A premissa é interessante, com o tema das vidas fora do ecrã e centrando-se no feminismo, já que Dinah passa a ter um papel fulcral na série e tem ainda de descobrir quem é para além de ser apenas a mulher de Del. Fora isso, também temos mulheres que não querem apenas casar e ser donas de casa, filhos que não querem seguir o caminho perfeito que os pais trilharam para eles, e até um casal gay que tem de esconder o seu romance por não ser aceite e para proteger as carreiras de ambos.


O problema? Este livro é contado sob demasiados pontos de vista de diferentes personagens, e querer falar sobre tudo resultou em não desenvolver nada o suficiente.


Este livro começou de forma satisfatória: nada de extraordinário, mas nada mau também. Estava a ser uma leitura prazerosa q.b. Mas a partir da metade, começou a ficar arrastado, a aborrecer-me e eu comecei a ler o mais rápido possível para o terminar o quanto antes. Um livro que começou por ser um 3.5 de 5 para mim, foi descendo: para 3, para 2.5, e mais uma vez para a nota final que lhe dei.


Há pouco neste livro que faça algum sentido para mim. Temos várias coisas a acontecer a esta família (sobretudo ligadas à imprensa), coisas que podem potencialmente estragar a sua imagem pública, mas depois de algumas linhas a falar do quão más estas coisas são, não há quaisquer consequências destes acontecimentos nas vidas deles. Nem parece que estas publicações saíram e insinuaram aquilo que insinuaram.


Além disso, é tão irrealista a rapidez com que personagens neste livro mudam de opinião, sobretudo em coisas que são princípios e valores fundamentais da personalidade de cada um. Não estamos apenas a falar de "não gostava de chocolate e agora gosto."


Dois dos pontos de vista e duas das personagens têm das histórias e arcos mais aborrecidos de sempre.


E, por fim, este é um livro sobre 1964 claramente escrito em 2025/26 no que diz respeito ao feminismo. A princípio, ainda tentei ler de mente aberta e pensar que, provavelmente, havia mesmo pessoas naquela altura já a pensar desta forma. O problema é que Jennifer Niven não se ficou por aí; decidiu começar a empanturrar quase todas as páginas com feminismo dos dias de hoje, de forma tão repetitiva, descarada e cliché que se tornou impossível acreditar nesta era e nestas personagens.


Aliás, falando em clichés, a história está cheia deles e algumas personagens também, tornando-se um estereótipo completo.


Este livro podia ter sido qualquer coisa de bom; era promissor, mas, em vez disso, saiu uma coisa tão insípida e desinteressante. Não recomendo.


(Na verdade, é um 2.25)

Ainda na leva de memórias que tenho para recuperar do mês anterior, queria vir falar um pouco sobre a feira do livro de Lisboa, como sempre faço.

Será assim tão importante para o meu eu futuro saber aquilo que comprou na edição de 2026? Não sei, mas a este ponto, já se tornou tradição.

Este ano deu para muito pouco, apenas passei rapidamente numa noite para comprar os livros que queria e... foi isso, infelizmente.

Não houve tempo ou oportunidade para ouvir sessões ou participar em autógrafos (infelizmente, porque teria gostado muito de rever a Rita da Nova e de conhecer a Bárbara Cardoso), e muito menos para voltar a estar presente numa Hora H.

Como sempre faço, listei todos os livros do dia e nunca me aconteceu tal coisa como este ano: tinha quase 50 livros que queria num só dia. Para contexto, todos os dias que listo andam sempre à volta de, no máximo, 8 livros.

Mas também estou convencida de que foi um erro técnico do site: primeiro, porque nenhum outro dia tinha tantos livros do dia, no geral, como aquele; e depois, porque foi nesse dia que fui e, com apenas 5 livros seleccionados dos quase 50, houve 2 que na verdade não estavam como livro do dia sequer.

E sim, consegui a proeza de seleccionar apenas 5 livros dos quase 50 que tinha. Na verdade, foi muito fácil cortar livros da lista: bastou-me procurá-los no catálogo da BiblioLed e da minha biblioteca municipal; tudo o que lá estava presente saiu da lista para comprar. Com os que restaram, aí sim, foi uma questão de pesar variáveis.

Assim, dos que já estavam na minha lista, comprei:

  • Caraval, Stephanie Garber: Não sou muito de ler fantasia, mas queria experimentar e o nome deste livro sempre me fascinou, por algum motivo (a sinopse também despertou interesse, claro). Como uma das minhas estratégias de selecção foi "aproveitar bons negócios em livros que, normalmente, custam 20€ ou mais", este foi para a lista.
  • Era Uma Vez Um Cravo: Um livro simples sobre o 25 de Abril, por 1€ e com ilustrações? Não dói nada.
  • O Pintor Debaixo do Lava-Loiças, Afonso Cruz: Li este livro no e-reader em 2020. Adorei-o e sabia que queria a edição física. Seis anos depois, aconteceu. E preciso muito de reler, porque embora me recorde perfeitamente do quanto gostei dele, já não me recordo tanto do livro em si.

Os improvisos do banco de suplentes criado à pressa:

  • Vamos Comprar Um Poeta, Afonso Cruz: Tenho muita curiosidade, fazia parte da lista de 50 livros e não estava muito caro. Veio comigo.
  • A Desobediente, Patrícia Reis: Estou com receio de não conseguir lê-lo por ser biografia, mas não existe audiolivro até ao momento. Pareceu-me importante que, para comprar um à última da hora, este fosse o escolhido.

Aqueles que tinha na lista porque o site me enganou e não estavam como livro do dia (ambos seguindo a estratégia de "normalmente são à volta de 20€, portanto, é aproveitar"):

  • Ecologia, Joana Bértholo
  • A Vida Invisível de Addie LaRue, V.E. Schwab

Foram poucos? Sim, mas foram bons. Pelo menos, espero que sejam. Tive muita pena de não conseguir aproveitar os dois que ficaram para trás, mas mais uma vez saio, infelizmente, com uma impressão negativa do site porque me senti enganada.

Aliás, já não me recordo de qual, mas pesquisei estes dois livros no site, no próprio momento, e um deles nem sequer tinha estado como livro do dia em dia nenhum, nem ia estar. Para quê incluí-lo como livro do dia naquele dia, então?

O que aprendi com isto foi a confirmar a lista novamente um dia antes, ou até uma semana antes, tendo em conta que, sendo de longe, escolho o dia/fim de semana para ir à feira conforme a lista de livros que consulto semanas antes. E se essa lista já vem errada...

Revi no mês passado aquele que sempre figurou na minha lista de filmes favoritos. E tinha de falar dele, não por ser um favorito, mas pela experiência enriquecedora de revermos filmes com o peso da idade, da sabedoria, e da maturidade.


Se, na altura, vi Casablanca com o entendimento de que era um romance que se passava na altura da Segunda Guerra Mundial; hoje compreendo que é um filme da altura da Segunda Guerra Mundial com algum romance.


É certo que não nos mostra um ponto de vista particularmente importante da Guerra, embora seja ainda significativo: vemos exilados da guerra, sim, mas exilados com dinheiro. Um grupo completamente diferente de outros que o filme não pretende mostrar.


Ainda assim, conseguimos perceber o clima de medo e opressão que se vive, até mesmo dentro deste grupo. Se há cena poderosa, é aquela em que um bar inteiro canta A Marselhesa num acto de resistência a uma guerra sem fim à vista.


E claro, não mentindo, o filme também é sobre o romance de uma relação que já foi e não pode ser mais. E também o faz de forma bonita. Afinal, como Rick dizia, teremos sempre Paris. E eu vou sempre amar muito este filme, com uma história de amor que não esconde os efeitos da guerra.




Um filme que nos mostra um pai e a sua filha pré-adolescente — Sophie — durante umas férias que passaram juntos, intercalando esses momentos com uma Sophie, agora adulta, que recorda essas férias compreendendo um lado do pai que, na altura, não conhecia.


Já vi este filme há mais de um mês e, por isso, a memória pode atraiçoar. Mas queria muito escrever sobre ele porque sei que me tocou profundamente.


No fundo, o filme sugere fortemente que este pai vive com depressão. É muito duro ver como ele tenta fazer a filha sentir-se feliz durante estas férias, ao mesmo tempo que ele sofre em silêncio.


Não é um filme para o qual avançamos pelo enredo, porque não há nada de muito relevante a acontecer. Não há uma história propriamente dita; apenas momentos e experiências. E achei que o filme foi muito bom a mostrar a confusão mental em que este pai vive.


É melancólico, mas, acima de tudo, triste. Fez-me sentir triste. Fez-me querer abanar a personagem, apelar-lhe a que aproveitasse certos momentos com a filha, sabendo que a sua cabeça não lho permitia. Sentindo-me tão impotente quanto ele, por sabê-lo.


Enfim, numa nota mais leve, precisamos de parar de meter o Paul Mescal a fazer filmes tristes. Senão, já sei que vou chorar. Aftersun, Hamnet, All of Us Strangers... Que repertório de lágrimas a que este homem me sujeita.




Desapareci. Sendo sincera, estava convencida de que iria dar este blog por terminado. Por vários motivos, ou talvez apenas três:


  1. Sinto que perdi leitores. Com total transparência, se isto acontece por uma mudança de plataforma, não me faz sentir que esteja a fazer um trabalho assim tão bom.
  2. Já disse aqui várias vezes que, se quisesse escrever para mim mesma, não precisava de o fazer aqui. A partilha que sentia desapareceu por completo. Tanto este como o ponto anterior fizeram-me sentir uma desmotivação gigante em vir aqui partilhar seja o que for.
  3. A minha vida mudou muito nos últimos meses. Tenho menos tempo mas, mais importante talvez, passo menos tempo ao computador, o que também vai influenciar o tempo que passo a escrever para este blog (recuso-me a fazê-lo no telemóvel, por razões que penso serem claras).

Desapareci e senti-me livre. Ultimamente, escrever para este blog parecia uma obrigação e uma que nem estava a dar frutos.


Senti-me livre e senti uma aceitação de que talvez este ciclo estivesse terminado.


Depois... Alguém falou de um livro num podcast, um livro que li há uns anos, um livro sobre o qual escrevi no meu blog do Sapo. Fui procurar a publicação, revisitar a minha opinião, relembrar a minha experiência com esse livro.


E, por incrível que pareça, esse momento mudou tudo. Pensei, 'que maravilhoso é ter este registo ao qual posso voltar sempre que me apetece' (bom, não no Sapo... mas ele está guardado aqui, no Blogger). Que bom poder escapar à falta de memória com palavras que eu escrevi, um eu tão longínquo, mas que viveu aquilo e o deixou marcado. Que bom poder relembrar depois de esquecer.


Não sei se me sinto tão confortável quanto achava com a ideia de simplesmente deixar de o fazer. Deixar de registar. Logo eu, que tenho uma memória tão má para tudo o que consumo! O que resta, meses depois? Se deixar de escrever, não resta nada.


Não me interpretem mal; tem sido todo um processo de adaptação, esta mudança. Uma montanha-russa de reviravoltas, mudanças de ideias atrás de mudanças de ideias, um novelo de confusão. Eu não quero que este blog pareça um trabalho, uma obrigação.


E, por isso, não só decidi voltar (por enquanto, eu não consigo prometer nada quando eu própria me sinto tão volátil), mas decidi voltar aos básicos, ao simples. Perdoem-me, mas que se danem as imagens 'bonitinhas' com capas, resumos, notas. Isso requer um esforço ao qual não tenho, neste momento, interesse em dedicar tempo. Eu só quero escrever. Não quer dizer que o vá fazer sempre, nem quer dizer que o vá fazer com tudo. Posso até passar outro mês e meio sem aparecer. Desde que apareça sempre, para falar do que me faz sentido.


Para que a Vera de 2027, 2030, 2050, possa ter acesso ao que um dia foi, ao que um dia fui. Que isto seja aquilo que tiver de ser; mas acima de tudo, que seja o meu próprio caderno de memórias. Se quiserem fazer parte da viagem, só posso agradecer.


Mas acho que finalmente percebi que a parte mais importante deste registo é a minha.

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