Homem-Aranha: Sala Cheia

Podia ser este o nome do filme (qualquer um deles), na minha experiência, porque é assim que encontro a sala de cinema sempre que sai um novo filme do Homem-Aranha.

Dizia às pessoas que a última vez que tinha visto uma sala de cinema cheia tinha sido no (agora) penúltimo filme, No Way Home, em 2021. Já tinha sido há um tempo. Este Brand New Day figurará no meu novo termo de comparação, daqui em diante, até ao próximo.

Com certeza, a experiência será diferente noutro local. Em Lisboa, se calhar é fácil encher uma sala — basta olhar até para as lotações do Odisseia — mas, por incrível que pareça, nem o Odisseia encheu uma sala aqui tanto como o fez o Homem-Aranha (ainda que lá estivesse muita gente na mesma).

Não, esta publicação não será sobre o novo filme do Homem-Aranha (ainda que tivesse muito de positivo a dizer), mas sobre a magia que encontro no facto de, sempre que um filme desta saga sai, poder reviver a experiência de uma sala de cinema praticamente lotada.

Lembra-me muito os bons velhos tempos: quando o cinema era bastante mais valorizado e frequentado do que o é hoje, quando se tornava a única opção — ou uma das poucas opções viáveis — de ver um filme, pelo menos antes de sair em cassete ou, mais tarde, DVD.

Há muito a dizer sobre a experiência de ver um filme no cinema hoje em dia e o risco que acarreta — muitas pessoas já não sabem estar num cinema. Telemóveis a serem usados tornaram-se algo normal, conversas entre amigos também, ou, como aconteceu na nossa sessão de Obsession, alguém a roncar sonoramente ao nosso lado.

Certa vez, uma pessoa disse-me que tinha uma teoria: quanto mais cheia a sala de cinema, menos problemas parecem existir. Desde então, tenho tentado reparar na sua veracidade e, na minha experiência, tem-se confirmado. Embora, claro está, seja uma generalização, e todas as generalizações são, por si só, falaciosas.

O que é certo é que Homem-Aranha me fez regressar mais uma vez ao passado; certo que houve pelo menos telemóveis, mas poder, em 2026, viver uma sala cheia, lotada de pessoas verdadeiramente interessadas em ver um filme, e com um ou outro problema menor é um milagre hoje em dia — e é um milagre pelo qual vou agradecer.

Acaba por ser uma experiência nostálgica: transpor a porta para o início dos 2000s, ainda que o filme, os telemóveis, as roupas das pessoas que ali entram não o ditem. É só um ambiente que se sente.

É um fenómeno que eu não compreendo porque está exclusivamente ligado a esta personagem da Marvel — o meu namorado fã de comics e da MCU diz que é por ser das personagens mais conhecidas e amadas da Marvel. Depois só entra uma resposta passional da minha parte: de certeza que o Iron Man também era, se não o tivessem matado.

(Desculpem pelo spoiler, mas também, foi em 2019, ganhem vergonha na cara. ❤️)

Enfim, não interessa o que leva tanta gente ali; só queria fazer toda uma publicação em que não digo nada de jeito para concluir: adoro como todos os filmes do Homem-Aranha se estão a tornar na oportunidade 'de uma vida' que tenho de, mais uma vez, ver uma sala praticamente lotada.

Gostaria de experienciá-lo mais vezes? Sim, mas depois também se tornava menos especial.

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