Finalmente, cheguei a um dos livros da saga de Hunger Games que ainda não tinha lido, apesar de ter ido ver o filme ao cinema. Com a minha péssima memória, claro que já nem do filme praticamente me lembrava; por isso, de certa forma, foi quase como conhecer a história pela primeira vez.
Começo já pelos pontos menos positivos, mas de pouca significância: achei o livro um pouco longo sem ser necessário e, em certos momentos (mais especificamente, nos concertos dos Covey), um pouco repetitivo.
Ainda assim, este livro é bastante bom e parte de uma premissa interessante: achamos que vamos ler como Snow se tornou o vilão que conhecemos dos primeiros três livros, apenas para percebermos que ele nunca foi uma boa pessoa para começar.
E, nesse sentido, este livro é um 'character study' muito decente. Acho que tinha potencial para ser ainda melhor, mas talvez isso não tenha lugar num livro de young adult.
Em todo o caso, acho que está muito bem feita a forma como Snow parece, inicialmente, uma pessoa pelo menos decente, fazendo-nos questionar como raio se tornou ele num vilão — embora no livro se perceba bastante mais rápido o seu carácter problemático, em comparação com o filme.
Rodeado de pessoas que o amam e apoiam, Snow contraria um ambiente enriquecedor para criar uma pessoa decente. Em vez disso, é uma pessoa calculista, com tendências narcisistas e, paradoxal e simultaneamente, com complexos de superioridade e inferioridade que o ditam como vítima de todos, mas, ao mesmo tempo, como alguém acima de muitos que o rodeiam.
Talvez me esteja a repetir um pouco, mas acho mesmo que isto é aquilo que torna o livro numa experiência interessante — a forma como se centra na personagem e nos apresenta o seu mundo, de um ponto de vista de um vilão complexo e problemático.
Gostei muito. Falta ler apenas o quinto livro, Amanhecer na Ceifa, que é também uma prequela; mas fá-lo-ei a pouco tempo de sair o filme, em Novembro. Estou a gostar muito desta 'viagem' que decidi fazer por toda a série este ano.

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